FMGD NEWS

FMGD NEWS — 6 de novembro de 2026

Publicado às segundas, quartas e sextas-feiras, às 7h, exceto feriados.

MME abre consulta sobre garantia física de solares e eólicas; PDE projeta 91,7 GW de geração distribuída em 2036; Justiça do Maranhão afasta ICMS sobre energia compensada; ONS orienta baterias do leilão; dólar PTAX a R$ 5,46

Edição de 5 e 6 de novembro: o MME abriu consulta pública para mudar o cálculo da garantia física de usinas solares e eólicas, com tratamento dos cortes de geração e, segundo a pv magazine Brasil, o critério P90 para usinas solares, com contribuições até 18/12. O caderno do PDE 2036 sobre eficiência e recursos distribuídos projeta 91,7 GW de micro e minigeração distribuída em 2036. Uma sentença de primeira instância no Maranhão mandou suspender o ICMS sobre a energia solar compensada. O ONS publicou perguntas e respostas sobre baterias no leilão de capacidade, com rota de acesso mais rápida a partir de 2027. No pulso de custos, a PTAX fechou a R$ 5,4621 em 5/11.

Fontes verificadas

Destaque do dia

MME abre consulta para mudar o cálculo da garantia física de usinas solares e eólicas

Proposta trata dos cortes de geração no cálculo da geração média; contribuições até 18 de dezembro.

Palavra do Presidente

Jomar Britto, Presidente da FMGD

Duas notícias desta semana falam a mesma língua: a de que a energia solar já é grande demais para ser tratada como exceção. O MME quer descontar dos cálculos de garantia física a energia que as usinas deixam de gerar por corte do sistema, e o planejamento oficial projeta mais de 90 GW de geração distribuída em dez anos. No Maranhão, a Justiça disse algo que interessa a todo gerador: energia que o consumidor gera, empresta à rede e recebe de volta não é venda. A decisão ainda pode cair, mas o argumento está posto. A FMGD vai acompanhar a consulta do MME até 18 de dezembro e levar a ela a experiência de quem gera em Minas.

Jomar Britto

Presidente da FMGD

Representantes do Conselho Consultivo

Articulação nacional

Coalizão MSL — Movimento Solar Livre e as Frentes Estaduais de Geração Distribuída

A FMGD integra e apoia a articulação nacional do Movimento Solar Livre, que reúne as Frentes Estaduais em defesa da liberdade energética, da segurança jurídica e dos direitos do consumidor-gerador.

Nota editorial

Esta edição cobre 5 e 6 de novembro de 2026 e traz cinco cards, uma edição enxuta: a janela é de dois dias e não houve mais notícia verificável com peso para quem gera. A consulta do MME sobre garantia física e o caderno do PDE foram divulgados na tarde de 4/11, depois da edição anterior. Fontes substituídas: a página de notícias da ANEEL abriu só com o aviso de carregamento, sem a lista de notícias; não foi localizada nota oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão nem o texto da sentença sobre o ICMS, e os dados vêm do Canal Solar e do Imirante; os detalhes do critério P90 não estão na nota do MME e vêm da pv magazine Brasil. Ficou de fora o estudo do Inesc sobre subsídios federais à energia, porque o documento do instituto não foi localizado e os números de 2024 citados pela imprensa não batem com a edição anterior do mesmo estudo. O site da ABSOLAR e a página temática de energia solar da CNN Brasil não tinham matéria nova na janela; não foram conferidas as páginas do g1 e do R7 (limite de acesso). A PTAX de 6/11 sai por volta das 13h, depois desta edição, e não houve relatório novo da OPIS sobre módulos noticiado na janela. Nada nesta edição altera a Lei 14.300.

Leitura rápida

  • MME abre consulta sobre a garantia física de usinas solares e eólicas, com tratamento dos cortes de geração; contribuições até 18/12
  • Caderno do PDE 2036 projeta 91,7 GW de micro e minigeração distribuída e 13,5 milhões de adotantes em 2036
  • Sentença de primeira instância manda o Maranhão e a Equatorial suspenderem o ICMS sobre a energia solar compensada; cabe recurso
  • ONS publica perguntas e respostas sobre baterias no leilão de capacidade e prevê rota de acesso mais rápida a partir de 2027
  • Dólar PTAX fecha a R$ 5,4621 em 5/11; módulo TOPCon na última referência da OPIS, de 20/10: US$ 0,107/W

Conteúdo editorial do dia

MME abre consulta pública para mudar o cálculo da garantia física de usinas solares e eólicas

Fato
Segundo o Ministério de Minas e Energia (4 de novembro de 2026), o MME abriu consulta pública sobre a metodologia de cálculo e revisão da garantia física de usinas eólicas e solares fotovoltaicas, com base na Portaria SNTEP/MME nº 3.257, de 28 de outubro de 2026. As contribuições vão até 18 de dezembro, pelo portal de Consultas Públicas do MME ou pela plataforma Brasil Participativo.
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O que muda
Segundo o MME, a principal inovação é "a previsão de tratamento dos cortes de geração no cálculo da geração média", com metodologias separadas para cada fonte, apoiadas em estudos da EPE e numa Avaliação de Impacto Regulatório. Segundo a pv magazine Brasil (4 de novembro), a proposta usa o critério P90, em vez do P50, no cálculo inicial da garantia física das usinas solares; inclui na geração média a energia não produzida por restrições externas, estimada pelo ONS; exige 48 meses de geração verificada nas revisões de solares e 60 meses nas de eólicas; e aciona a revisão quando a geração média fica abaixo de 95% ou acima de 105% da garantia física vigente.
O motivo
Segundo a pv magazine Brasil, as revisões feitas com base na geração verificada mostraram redução da garantia física em 47% a 54% das usinas solares analisadas por ano. O critério P90, mais conservador, buscaria reduzir a frequência e o tamanho dessas revisões.
Por que importa para quem gera
A garantia física vale para usinas centralizadas que vendem energia em contratos, não para a micro e minigeração distribuída. Mas é a primeira vez que o MME propõe que o corte de geração imposto pelo sistema deixe de penalizar a usina no cálculo, um precedente para o debate sobre cortes que também chega à geração distribuída. Esta é a leitura da FMGD.
Limite da verificação
A nota do MME não detalha o critério P90 nem a faixa de tolerância; esses pontos vêm da pv magazine Brasil, e a minuta não foi lida na apuração. O Canal Solar (5 de novembro) confirma a abertura da consulta e o prazo.

Muito alta — garantia física define quanto cada usina pode vender, e os cortes de geração passam a entrar na conta

Caderno do PDE 2036 projeta 91,7 GW de micro e minigeração distribuída em 2036

Fato
Segundo o Ministério de Minas e Energia (4 de novembro de 2026), o MME e a EPE divulgaram o caderno do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036) sobre eficiência energética e recursos energéticos distribuídos. No cenário de referência, a micro e minigeração distribuída chega a 91,7 GW de capacidade instalada em 2036, com 13,5 milhões de adotantes e investimentos estimados de R$ 95,9 bilhões entre 2027 e 2036; a fonte solar fotovoltaica responde por 99% da capacidade.
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Baterias e resposta da demanda
Segundo o MME, a viabilidade econômica das baterias atrás do medidor "ainda está concentrada em nichos específicos", com maior potencial na gestão do consumo de clientes do Grupo A4 na tarifa verde. Segundo a pv magazine Brasil (5 de novembro), o caderno estima um mercado potencial de até 139 GWh de baterias atrás do medidor até 2036, e a própria reportagem ressalva que é mercado potencial, "e não uma previsão de investimentos efetivamente realizados"; na baixa tensão, com tarifa branca, o resultado só é positivo com custo de cerca de R$ 500/kWh ou menos. O MME diz ainda que a resposta da demanda pode chegar a 4 GW em 2036.
O total
Segundo o MME, a contribuição conjunta da eficiência energética e dos recursos energéticos distribuídos chega a 276 TWh em 2036. A consulta pública do PDE 2036 ficou aberta até 6 de novembro de 2026.
Por que importa para quem gera
A projeção oficial é de crescimento contínuo da geração distribuída, apesar do Fio B mais alto e dos cortes de geração. Para a bateria em casa, o planejamento diz que a conta ainda não fecha para a maioria; a vantagem aparece primeiro nas empresas da média tensão. É cenário de planejamento, não meta nem garantia. Esta é a leitura da FMGD.

Muito alta — é a projeção oficial de crescimento da geração distribuída para os próximos dez anos

Justiça do Maranhão manda suspender o ICMS sobre a energia solar compensada; sentença ainda cabe recurso

Fato
Segundo o Canal Solar (5 de novembro de 2026), o juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, decidiu em 3 de novembro que o Estado do Maranhão e a distribuidora Equatorial Maranhão devem deixar de cobrar ICMS sobre a energia que os consumidores geram, injetam na rede e depois compensam, em todo o estado, sob multa diária de R$ 10 mil. O Imirante (4 de novembro) confirma a decisão e diz que ela vale para a micro e minigeração distribuída em casas, comércios e propriedades rurais.
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O fundamento
Segundo o Canal Solar, o juiz tratou a energia excedente enviada à rede como "empréstimo gratuito" para compensação futura, não como venda, e afirmou que o ICMS exige "circulação jurídica de mercadoria". Segundo o Imirante, a sentença diz que "a circulação física da eletricidade pela rede não caracteriza, por si só, uma operação de comercialização".
Os limites
Segundo o Canal Solar, o pedido de devolução do ICMS já pago foi extinto sem julgamento do mérito, para que siga em ações individuais, e o pedido de dano moral coletivo foi negado. A sentença é de primeira instância, cabe recurso e passa por reexame obrigatório no Tribunal de Justiça do Maranhão. Os demais tributos e encargos da conta continuam sendo cobrados.
Por que importa para quem gera
A decisão vale só no Maranhão e não muda nada em Minas Gerais. Mas reforça, em ação coletiva, a tese de que a energia compensada não é mercadoria vendida, que aparece em processos de outros estados. Esta é a leitura da FMGD.
Limite da verificação
Não foi localizada nota oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão nem o texto da sentença; o número do processo e o autor da ação não foram informados. Os dados vêm do Canal Solar, que diz ter obtido a sentença, e do Imirante, que concordam nos pontos centrais.

Alta — tese sobre ICMS na energia compensada, decisão de primeira instância e só no Maranhão

ONS orienta baterias do leilão de capacidade e prevê rota de acesso mais rápida a partir de 2027

Fato
O ONS publicou o documento "Perguntas Frequentes — Sistemas de Armazenamento de Energia e Leilão de Reserva de Capacidade", datado de outubro de 2026 e noticiado pela pv magazine Brasil em 5 de novembro. Segundo o ONS, a partir de 2027 as Temporadas de Acesso terão "uma rota específica para empreendimentos vencedores de leilão, o que permitirá uma jornada mais célere no processo de acesso", com base na Portaria Normativa MME nº 129/2026.
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O que o documento diz
Segundo o ONS, vencedores que precisarem acessar a Rede Básica ou ampliar o uso contratado devem participar das Temporadas de Acesso, e a habilitação no leilão não dispensa garantias, contrato de uso e Parecer de Acesso. Segundo a pv magazine Brasil, o documento traz 14 perguntas e diz que a sobrepotência de 20% dos transformadores por até quatro horas é para emergência, não regime normal, e que limitações nas instalações do agente não afastam penalidades por não entregar a potência contratada.
A ressalva
O próprio ONS diz que o documento "tem finalidade exclusivamente informativa" e não substitui a legislação, os Procedimentos de Rede, o edital nem os contratos.
Por que importa para quem gera
O leilão de baterias de dezembro é para grandes sistemas que vendem capacidade ao sistema elétrico, não para a geração distribuída. Mas as regras de conexão de baterias que o ONS consolida agora tendem a servir de referência para o armazenamento em geral. Esta é a leitura da FMGD.

Alta — regras práticas de conexão para quem disputa o leilão de baterias de dezembro

Pulso de custos: dólar PTAX recua para R$ 5,4621 em 5/11; módulo TOPCon segue na última referência, US$ 0,107/W

Câmbio
Segundo o Banco Central, a PTAX de venda fechou a R$ 5,4778 em 4 de novembro e a R$ 5,4621 em 5 de novembro de 2026, depois de R$ 5,4935 em 3/11. A queda de 5/11 sobre 3/11 é de cerca de 0,6%. A PTAX de 6/11 sai depois desta edição.
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Módulos
Não houve relatório novo da OPIS sobre módulos noticiado na janela. A última referência verificada é a do relatório de 20 de outubro de 2026, noticiado pela pv magazine Brasil em 23/10: o Chinese Module Marker, para módulos TOPCon, ficou estável em US$ 0,107/W FOB China pela segunda semana seguida.
Por que importa para quem gera
O dólar devolveu parte da alta do início da semana, mas segue acima de R$ 5,40, e o preço do módulo em dólar está estável. O preço final de um sistema depende também de estoque, frete, tributos e negociação. Esta é a leitura da FMGD.

Alta — câmbio e preço de módulos definem o custo dos sistemas

Agenda regulatória

  • 09/11Fim do prazo de contribuições da Consulta Pública ANEEL nº 033/2026, sobre o Módulo 3 do PRODIST e o comando remoto de recursos energéticos distribuídos.
  • 16/11Fim do prazo para as distribuidoras enviarem, pelo sistema da CCEE, as declarações de necessidades para os leilões A-4, A-5 e A-6 de 2027, segundo o MME.
  • 17/11Fim do prazo de contribuições da consulta do MME sobre o leilão dos sistemas isolados de 2027.
  • 20/11Fim do prazo de contribuições da tomada de subsídios sobre o orçamento da CDE de 2027 e o Encargo de Complemento de Recursos.
  • 22/11Fim do prazo de contribuições da consulta do MME sobre a recarga de veículos elétricos e sua integração às redes.
  • 02/12Leilão de baterias com exigência de conteúdo nacional; o segundo, sem essa exigência, está marcado para 4/12. As datas podem mudar se a lei sobre quem paga for alterada antes.
  • 14/12Fim do prazo de contribuições da consulta da ANEEL sobre o fim dos descontos na TUST e na TUSD para novas migrações ao mercado livre, segundo a pv magazine Brasil.
  • 18/12Fim do prazo de contribuições da consulta do MME sobre a garantia física de usinas eólicas e solares.
  • 01/01Fio B sobre a energia compensada da geração distribuída da transição passa de 60% para 75%, pela Lei 14.300.

Síntese do dia

“O MME propôs que os cortes de geração deixem de pesar contra as usinas solares e eólicas no cálculo da garantia física, com consulta até 18/12. O planejamento oficial projeta 91,7 GW de geração distribuída em 2036 e ainda vê a bateria em casa como nicho. No Maranhão, uma sentença de primeira instância afastou o ICMS sobre a energia compensada. O ONS consolidou as regras de conexão das baterias do leilão, e o dólar recuou para perto de R$ 5,46.”

Fontes oficiais

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Edição pública atualizada em 06/11/2026.

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