FMGD NEWS

FMGD NEWS — 4 de novembro de 2026

Publicado às segundas, quartas e sextas-feiras, às 7h, exceto feriados.

ANEEL estuda permanência mínima de 12 meses na geração compartilhada; comissão da Câmara aprova retomar isenção para inversores; 178 usinas devolvem 7,68 GW de transmissão; leilão fecha com deságio de 50,1%; dólar PTAX a R$ 5,49

Edição de 31 de outubro a 4 de novembro: a área técnica da ANEEL propõe mudar as regras da geração compartilhada, com permanência mínima de 12 meses no sistema de compensação e créditos proporcionais à participação de cada um no projeto, e recomenda consulta pública de 45 dias. Uma comissão da Câmara aprovou o projeto que retoma a isenção do imposto de importação dos inversores solares. A ANEEL revogou as autorizações de 178 usinas, 169 delas solares, pelo "Dia do Perdão", liberando cerca de 7,68 GW de uso da transmissão. O leilão de transmissão de 30/10 teve os oito lotes arrematados, com deságio médio de 50,1%, e a consultoria Thymos projeta tarifas em queda no Sudeste em 2027. No pulso de custos, a PTAX fechou a R$ 5,4935 em 3/11.

Fontes verificadas

Destaque do dia

ANEEL estuda permanência mínima de 12 meses e créditos proporcionais na geração compartilhada

Nota técnica recomenda consulta pública de 45 dias; a área técnica vê risco de venda indireta de energia em ofertas de energia por assinatura.

Palavra do Presidente

Jomar Britto, Presidente da FMGD

A proposta da área técnica da ANEEL para a geração compartilhada ainda não é regra, mas aponta para onde a agência quer ir: menos troca de participantes, créditos de acordo com quem de fato divide custo e risco, e um olhar mais duro sobre a energia por assinatura. Quem participa de uma cooperativa ou de um consórcio precisa entender o que assinou. A FMGD vai acompanhar a abertura da consulta pública e levar a ela a posição de quem gera em Minas, defendendo transição clara para os projetos que já existem. Na mesma semana, a comissão da Câmara deu o primeiro passo para devolver a isenção dos inversores, e isso pesa no preço de cada sistema.

Jomar Britto

Presidente da FMGD

Representantes do Conselho Consultivo

Articulação nacional

Coalizão MSL — Movimento Solar Livre e as Frentes Estaduais de Geração Distribuída

A FMGD integra e apoia a articulação nacional do Movimento Solar Livre, que reúne as Frentes Estaduais em defesa da liberdade energética, da segurança jurídica e dos direitos do consumidor-gerador.

Nota editorial

Esta edição cobre de 31 de outubro a 4 de novembro de 2026 e traz seis cards. É uma edição de recuperação: a segunda-feira, 2 de novembro, foi feriado de Finados, e o período inclui o resultado do leilão de transmissão de 30/10, que saiu depois da edição anterior. Fontes substituídas: a página de notícias da ANEEL abriu só com o aviso de carregamento, sem a lista de notícias, e o texto da Nota Técnica nº 184/2026 não foi localizado; as propostas sobre geração compartilhada vêm do Canal Solar e do Portal Energia Limpa. O Despacho nº 3.585/2026 no Diário Oficial da União não abriu (erro 502); os dados vêm do Atlas Público, da pv magazine Brasil e da Agência Cenário Energia. O site da ABSOLAR e a página temática de energia solar da CNN Brasil não tinham matéria nova na janela; não foram conferidas as páginas do g1 e do R7 (limite de acesso). A PTAX de 4/11 sai por volta das 13h, depois desta edição, e não houve relatório novo da OPIS sobre módulos noticiado na janela. Nada nesta edição altera a Lei 14.300.

Leitura rápida

  • Área técnica da ANEEL propõe permanência mínima de 12 meses no sistema de compensação para a geração compartilhada e consulta pública de 45 dias
  • Comissão da Câmara aprova o PDL 107/24, que retoma a isenção do imposto de importação dos inversores solares; falta a Comissão de Finanças, o Plenário e o Senado
  • ANEEL revoga autorizações de 178 usinas, 169 solares, e libera cerca de 7,68 GW de uso da transmissão, sem garantia imediata de margem
  • Leilão de Transmissão nº 4/2026 tem os oito lotes arrematados, com deságio médio de 50,1% e R$ 8,9 bilhões em investimentos
  • Thymos Energia projeta para 2027 tarifas 5,14% menores no Sudeste e 9,58% maiores no Nordeste
  • Dólar PTAX fecha a R$ 5,4212 em 30/10 e a R$ 5,4935 em 3/11; módulo TOPCon na última referência da OPIS, de 20/10: US$ 0,107/W

Conteúdo editorial do dia

Área técnica da ANEEL propõe permanência mínima de 12 meses e créditos proporcionais na geração compartilhada

Fato
Segundo o Canal Solar (3 de novembro de 2026), a área técnica da ANEEL emitiu a Nota Técnica nº 184/2026, assinada no fim de outubro, com propostas de mudança nas regras da geração compartilhada, e recomenda uma consulta pública de 45 dias. A nota não muda as regras por si só, e a consulta ainda não foi aberta.
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O que se propõe
Segundo o Canal Solar, as propostas são: permanência mínima de 12 meses no sistema de compensação, com carência para voltar a quem sair antes; possibilidade de a distribuidora cobrar pelas mudanças na lista de quem recebe os créditos de uma usina; créditos de cada participante proporcionais à sua parte nos custos, riscos e benefícios do projeto; e vedação a participantes sem unidade consumidora na área da distribuidora. Os projetos existentes teriam período de transição, sem efeito retroativo sobre os créditos já compensados. A duração da carência e da transição não foi informada.
Por que a área técnica propõe
Segundo o Canal Solar, a área técnica cita a Lei 14.300/2022, pela qual a geração compartilhada deve atender ao consumo dos próprios participantes, e vê em ofertas de energia por assinatura, com desconto fixo e sem divisão de decisões e riscos, a possibilidade de venda indireta de energia. A análise usou dados de 13 distribuidoras das cinco regiões e não representa todos os projetos do país. O Portal Energia Limpa (3 de novembro) traz as mesmas propostas e o mesmo prazo de consulta.
Por que importa para quem gera
Quem participa de cooperativa ou consórcio de geração compartilhada, ou contratou energia por assinatura, pode ter regras de saída e de divisão de créditos alteradas. Ainda não há regra nova: o momento de opinar é a consulta pública, quando for aberta. Esta é a leitura da FMGD.
Limite da verificação
O texto da Nota Técnica nº 184/2026 não foi localizado, e a página de notícias da ANEEL não abriu a lista na apuração; as propostas vêm do Canal Solar e do Portal Energia Limpa, que concordam nos pontos centrais.

Muito alta — muda as regras para cooperativas, consórcios e ofertas de energia por assinatura

Comissão da Câmara aprova projeto que retoma a isenção do imposto de importação dos inversores solares

Fato
Segundo a Agência Câmara de Notícias (3 de novembro de 2026), a Comissão de Desenvolvimento Econômico aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 107/24, do deputado Delegado Caveira (PL-PA), que mantém a isenção temporária do Imposto de Importação dos inversores solares fotovoltaicos ao suspender os efeitos de uma norma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços que anulava o benefício. O relator, deputado Lafayette de Andrada (PL-MG), deu parecer favorável.
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Argumentos
Segundo a Agência Câmara, o relator afirmou que a revogação "unilateral e imediata dos ex-tarifários, sem qualquer período de transição" tem efeito semelhante a um aumento abrupto do custo de importação, e citou dados da ABSOLAR segundo os quais o corte atinge diretamente 5,78 GW de capacidade em projetos fotovoltaicos. O autor diz que a revogação põe em risco R$ 20 bilhões em investimentos e cerca de 159,7 mil empregos. São números do autor e de entidade do setor, não dado oficial.
Próximos passos
Segundo a Agência Câmara, o projeto segue para a Comissão de Finanças e Tributação e depois para o Plenário. Para suspender a norma, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado. Por ora, nada muda no imposto cobrado.
Por que importa para quem gera
O inversor é importado na maior parte dos sistemas, e o imposto pesa no preço final junto com o dólar. A tramitação ainda é longa. Esta é a leitura da FMGD.

Alta — custo do inversor, item importado de todo sistema solar

ANEEL revoga autorizações de 178 usinas, 169 delas solares, e libera cerca de 7,68 GW de uso da transmissão

Fato
Segundo o Atlas Público, o Despacho nº 3.585 da ANEEL, de 28 de outubro de 2026, publicado no Diário Oficial da União em 3 de novembro, revoga as autorizações das usinas listadas em seus anexos e determina ao ONS a rescisão dos contratos de uso do sistema de transmissão (CUST). Segundo a pv magazine Brasil (3 de novembro), são 178 usinas, 169 solares e 9 eólicas, com cerca de 7,8 GW de potência, e cerca de 7,68 GW de montante de uso da transmissão (MUST) ficam liberados para novos acessos.
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O mecanismo
Segundo a pv magazine Brasil, a revogação vem do mecanismo excepcional criado pela Resolução Normativa nº 1.157/2026, conhecido como "Dia do Perdão", que permite pedir a revogação e a rescisão dos CUST sem os encargos rescisórios, para quem cumpriu os requisitos. 223 usinas pediram adesão. Nove usinas do Complexo Fotovoltaico Carnaúba entraram sub judice, por decisão judicial.
A ressalva
Segundo a Agência Cenário Energia, a ANEEL afirma que "a descontratação desses montantes não implica, automaticamente, margem de conexão imediata em todos os subsistemas"; a disponibilidade depende de reavaliações técnicas do ONS.
Por que importa para quem gera
Trata de usinas centralizadas ligadas à transmissão, não de geração distribuída. Mas rede reservada por projeto parado é um dos gargalos de conexão do setor, e a devolução abre espaço para projetos novos, inclusive com baterias. Esta é a leitura da FMGD.
Limite da verificação
A página do despacho no Diário Oficial da União não abriu na apuração (erro 502); os dados vêm do Atlas Público, da pv magazine Brasil e da Agência Cenário Energia, que concordam nos números.

Alta — capacidade de rede devolvida por projetos que não saíram do papel

Leilão de Transmissão nº 4/2026 tem os oito lotes arrematados, com deságio médio de 50,1%

Fato
Segundo o Ministério de Minas e Energia (30 de outubro de 2026), o Leilão de Transmissão nº 4/2026, realizado na B3 nesta sexta (30), fechou com deságio médio de 50,1% sobre a receita anual permitida e mais de R$ 8,9 bilhões em investimentos em sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo, com 1.866 km de linhas.
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Vencedores
Segundo a B3, os oito lotes ficaram com cinco empresas: Neoenergia (lotes 1 e 7), EDP (lote 2), Cymi (lotes 3 e 5), Celeo Redes (lotes 4 e 8) e Cox Brasil (lote 6), com deságios de 38,55% a 57,08% por lote. O maior, o lote 4, de R$ 4,11 bilhões segundo o MME, eleva a rede básica do Mato Grosso do Sul de 230 kV para 500 kV.
O que disse o ministro
Segundo o MME, o ministro Alexandre Silveira afirmou: "Continuamos construindo, com planejamento, o sistema elétrico de que o Brasil vai precisar nas próximas décadas".
Por que importa para quem gera
Deságio alto significa receita menor para as transmissoras e, ao longo dos contratos, custo menor de transmissão na tarifa. As obras levam de três anos e meio a cinco anos. Esta é a leitura da FMGD.

Alta — expansão da rede que escoa a geração renovável

Thymos Energia projeta para 2027 tarifas 5,14% menores no Sudeste e 9,58% maiores no Nordeste

Fato
Segundo o Canal Solar (3 de novembro de 2026), a consultoria Thymos Energia projeta para 2027 queda média de cerca de 2% nas tarifas no país, com variações de +9,58% no Nordeste, +1,29% no Norte, -0,66% no Centro-Oeste, -5,14% no Sudeste e -7,59% no Sul.
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As causas
Segundo a reportagem, no Sudeste o alívio de cerca de R$ 8,5 bilhões com a retirada ou redução de componentes financeiros temporários supera um aumento de custos de cerca de R$ 2 bilhões. No Nordeste, os custos de compra de energia sobem R$ 3,2 bilhões e os de distribuição, R$ 1,1 bilhão. "A conta de luz pode variar de uma região para outra porque os custos de compra e entrega da energia são diferentes em cada localidade do país", disse Ana Paula Ferme, gerente da Thymos.
Por que importa para quem gera
Tarifa menor reduz a economia de quem compensa energia, e em janeiro o Fio B da geração distribuída da transição sobe para 75%. É projeção de consultoria, não decisão da ANEEL; Minas Gerais e a Cemig não são citadas nominalmente, e cada distribuidora tem seu próprio reajuste. Esta é a leitura da FMGD.

Alta — tarifa de 2027 entra na conta de retorno da geração distribuída

Pulso de custos: dólar PTAX fecha a R$ 5,4212 em 30/10 e a R$ 5,4935 em 3/11; módulo TOPCon segue na última referência, US$ 0,107/W

Câmbio
Segundo o Banco Central, a PTAX de venda fechou a R$ 5,4212 em 30 de outubro e a R$ 5,4935 em 3 de novembro de 2026, depois de R$ 5,3744 em 29/10. Não houve PTAX em 2/11, feriado. A alta de 3/11 sobre 29/10 é de cerca de 2,2%. A PTAX de 4/11 sai depois desta edição.
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Módulos
Não houve relatório novo da OPIS sobre módulos noticiado na janela. A última referência verificada é a do relatório de 20 de outubro de 2026, noticiado pela pv magazine Brasil em 23/10: o Chinese Module Marker, para módulos TOPCon, ficou estável em US$ 0,107/W FOB China pela segunda semana seguida.
Por que importa para quem gera
Com o dólar perto de R$ 5,49, o equipamento importado fica mais caro, mesmo com o preço do módulo em dólar estável. O preço final de um sistema depende também de estoque, frete, tributos e negociação. Esta é a leitura da FMGD.

Alta — câmbio e preço de módulos definem o custo dos sistemas

Agenda regulatória

  • 09/11Fim do prazo de contribuições da Consulta Pública ANEEL nº 033/2026, sobre o Módulo 3 do PRODIST e o comando remoto de recursos energéticos distribuídos.
  • 16/11Fim do prazo para as distribuidoras enviarem, pelo sistema da CCEE, as declarações de necessidades para os leilões A-4, A-5 e A-6 de 2027, segundo o MME.
  • 17/11Fim do prazo de contribuições da consulta do MME sobre o leilão dos sistemas isolados de 2027.
  • 20/11Fim do prazo de contribuições da tomada de subsídios sobre o orçamento da CDE de 2027 e o Encargo de Complemento de Recursos.
  • 22/11Fim do prazo de contribuições da consulta do MME sobre a recarga de veículos elétricos e sua integração às redes.
  • 02/12Leilão de baterias com exigência de conteúdo nacional; o segundo, sem essa exigência, está marcado para 4/12. As datas podem mudar se a lei sobre quem paga for alterada antes.
  • 14/12Fim do prazo de contribuições da consulta da ANEEL sobre o fim dos descontos na TUST e na TUSD para novas migrações ao mercado livre, segundo a pv magazine Brasil.
  • 01/01Fio B sobre a energia compensada da geração distribuída da transição passa de 60% para 75%, pela Lei 14.300.

Síntese do dia

“A ANEEL começou a desenhar regras mais duras para a geração compartilhada, mas nada muda antes de uma consulta pública de 45 dias. Na Câmara, a isenção dos inversores deu o primeiro passo, ainda longe de virar regra. Na rede, 7,68 GW de transmissão voltam a ficar disponíveis e o leilão de 30/10 contratou R$ 8,9 bilhões em obras com deságio de 50,1%. O dólar subiu para perto de R$ 5,49.”

Fontes oficiais

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Edição pública atualizada em 04/11/2026.

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