FMGD NEWS

FMGD NEWS — 21 de outubro de 2026

Publicado às segundas, quartas e sextas-feiras, às 8h, exceto feriados.

Excedente da GD pode ir ao mercado de curto prazo em 2027; ANEEL abre consultas da reforma tributária; tarifas sobem em GO e DF; dólar PTAX a R$ 5,0140

Edição de 20 e 21 de outubro: nota técnica da ANEEL propõe contabilizar e liquidar no mercado de curto prazo o excedente da micro e minigeração distribuída a partir de janeiro de 2027; a diretoria abre consultas sobre PIS/Cofins na reforma tributária, com contribuições de 21 a 30 de outubro; tarifas sobem em Goiás e no Distrito Federal a partir de 22 de outubro; o ONS publica diretrizes para validar modelos de usinas solares e baterias; a CCEE explica a migração da baixa tensão ao mercado livre. O pulso de custos traz a PTAX de 20 de outubro (R$ 5,0140) e o módulo TOPCon segundo a InfoLink.

Fontes verificadas

Destaque do dia

ANEEL propõe liquidar o excedente da GD no mercado de curto prazo a partir de 2027

Nota técnica recomenda consulta pública de 45 dias e uma regra provisória já na contabilização de janeiro de 2027, preservando os créditos de quem gera.

Palavra do Presidente

Jomar Britto, Presidente da FMGD

Quando a geração distribuída passa a sobrar na rede em certas horas, a pergunta deixa de ser se ela existe e passa a ser quem fica com o valor dessa energia. A nota técnica da ANEEL diz que os créditos dos consumidores-geradores devem ser preservados, e é isso que a FMGD vai cobrar na consulta pública: que o resultado da liquidação volte para a tarifa de todos, e não vire pretexto para cobrar de novo de quem investiu em energia limpa. Na mesma semana, a reforma tributária e os reajustes de Goiás e do Distrito Federal lembram que a conta de luz segue mudando, e quem gera a própria energia precisa acompanhar cada regra.

Jomar Britto

Presidente da FMGD

Representantes do Conselho Consultivo

Articulação nacional

Coalizão MSL — Movimento Solar Livre e as Frentes Estaduais de Geração Distribuída

A FMGD integra e apoia a articulação nacional do Movimento Solar Livre, que reúne as Frentes Estaduais em defesa da liberdade energética, da segurança jurídica e dos direitos do consumidor-gerador.

Nota editorial

Esta edição cobre 20 e 21 de outubro de 2026. A Nota Técnica Conjunta nº 23/2026 da ANEEL, sobre o excedente da micro e minigeração distribuída, e o voto do diretor relator sobre a consulta da reforma tributária foram lidos na íntegra, em cópias dos documentos oficiais publicadas pela Agência Cenário Energia e pelo portal Reforma Tributária; o arquivo do voto no site da ANEEL recusou o acesso (erro 403). A página de notícias da ANEEL não carregou a lista e a Agência está em período de defeso eleitoral, por isso os reajustes de Goiás e do Distrito Federal se apoiam no Canal Solar, na Agência Cenário Energia e no Jornal de Brasília. O guia do ONS fica no portal SINtegre, de acesso restrito; o card se apoia no infográfico público do ONS e na pv magazine Brasil. O cronograma da baixa tensão vem de declaração da CCEE em evento, sem documento oficial citado. Não havia OPIS nova na janela; o preço de módulos vem da InfoLink de 21/10. MME, ABSOLAR e Movimento Solar Livre não publicaram notícia sobre GD na janela; o site do INEL não abriu (erro 503). Na página temática de energia solar da CNN Brasil não havia matéria de 20 ou 21 de outubro, e a busca não encontrou reportagem de TV sobre o tema na janela. Não foram conferidas as páginas do g1 e do R7 (limite de acesso). A PTAX de 21/10 sai por volta das 13h, depois desta edição. Nada nesta edição altera a Lei 14.300.

Leitura rápida

  • ANEEL propõe contabilizar e liquidar no mercado de curto prazo o excedente da GD a partir de janeiro de 2027
  • Reforma tributária: consultas da ANEEL sobre PIS/Cofins recebem contribuições de 21 a 30 de outubro
  • Tarifas sobem 7,25% na Equatorial Goiás e 1,92% (provisório) na Neoenergia Brasília a partir de 22/10
  • ONS publica diretrizes para validar modelos de usinas solares, eólicas e baterias
  • CCEE: baixa tensão comercial e industrial pode migrar ao mercado livre a partir de novembro de 2027
  • Dólar PTAX fecha 20/10 em R$ 5,0140; módulo TOPCon a US$ 0,114/W fora da China (InfoLink, 21/10)

Conteúdo editorial do dia

ANEEL propõe contabilizar e liquidar no mercado de curto prazo o excedente da GD a partir de 2027

Fato
A Nota Técnica Conjunta nº 23/2026-SGM-STR-STD/ANEEL (processo 48500.010967/2026-32), assinada eletronicamente entre 16 e 19 de outubro de 2026, propõe à diretoria abrir consulta pública de 45 dias sobre o tratamento do excesso de geração da micro e minigeração distribuída (MMGD) apurado na contabilização da carga das distribuidoras. A proposta foi noticiada pela Agência Cenário Energia (19/10) e pelo Canal Solar (20/10).
O problema
Segundo a nota, pelas regras atuais da CCEE, quando a carga líquida do mercado cativo fica negativa, os valores negativos de carga são "substituídos por zero". Assim, a geração da MMGD que supera o consumo em certos horários deixa de ser contabilizada, o que, segundo a área técnica, reduz artificialmente o fator de perdas da Rede Básica e afeta outros agentes do mercado.
O que propõe
Na análise multicritério, a alternativa de tratamento abrangente teve nota 4,84, contra 3,58 do tratamento restrito e 1,16 da manutenção das regras. A nota recomenda: abrir a consulta com propostas de alteração de dez cadernos das Regras de Comercialização e dos submódulos 4.2, 4.3, 5.3 e 6.8 do PRORET; e aplicar, em caráter provisório, o tratamento restrito sugerido pela CCEE, incluindo o excedente no balanço da distribuidora e corrigindo o fator de perdas, "com efeitos a partir da contabilização do mês janeiro de 2027".
E os créditos de quem gera
A nota registra a posição da Procuradoria Federal junto à ANEEL de que "os créditos individuais dos consumidores-geradores devem ser preservados" e de que o resultado econômico da liquidação deve respeitar a neutralidade da distribuidora e ser revertido aos consumidores ou ao equilíbrio tarifário. O Canal Solar relata que, segundo a análise, a medida poderia ajudar a reduzir tarifas.
Limite da verificação
É proposta da área técnica, ainda sem decisão da diretoria e sem datas de consulta. Segundo a Agência Cenário Energia, o relator é o diretor Willamy Frota. A FMGD não localizou em fonte oficial aberta a data em que o tema irá à pauta.

Muito alta — micro e minigeração distribuída, mercado de curto prazo e tarifa

Reforma tributária: ANEEL abre consultas sobre PIS/Cofins, com contribuições de 21 a 30 de outubro

Fato
Na reunião de diretoria de 20 de outubro de 2026, o diretor relator Gentil Nogueira de Sá Júnior votou pela abertura de consulta pública, por intercâmbio documental, "entre 21 e 30 de outubro de 2026", sobre a adequação dos contratos regulados de geração e comercialização e dos encargos setoriais à reforma tributária (processo 48500.028922/2026-14). Segundo o portal Reforma Tributária, a diretoria aprovou duas consultas: a nº 39/2026, dos contratos, e a nº 38/2026, sobre os efeitos nas bases de remuneração das concessionárias.
O que se propõe
Segundo o voto, o preço contratado é ajustado por P × (1 − α), com α de 3,65% no regime cumulativo e 9,25% no não cumulativo, e média ponderada no regime misto. O marco é 16 de janeiro de 2025, data da Lei Complementar nº 214: para preços formados antes, presume-se que a cobertura de PIS/Cofins está embutida e será retirada; para os formados depois, não.
Por que dez dias
O voto justifica o prazo menor que o habitual pela urgência do marco legal: os efeitos da reforma começam em 1º de janeiro de 2027. Segundo o portal, as contribuições vão para cp039_2026@aneel.gov.br e cp038_2026@aneel.gov.br.
Precisão para a GD
A consulta trata de contratos de geração centralizada, encargos e concessionárias, não da compensação de energia da micro e minigeração distribuída. A FMGD não estima efeito sobre a conta de quem gera. A proposta técnica foi noticiada na edição de 19/10; o fato novo é a abertura das consultas e o prazo.

Alta — tributos e contratos regulados a partir de 2027

Tarifas sobem 7,25% na Equatorial Goiás e 1,92%, em caráter provisório, na Neoenergia Brasília

Fato
Segundo o Canal Solar e a Agência Cenário Energia, a diretoria da ANEEL aprovou em 20 de outubro de 2026 o reajuste tarifário anual da Equatorial Goiás e o resultado provisório da revisão tarifária periódica da Neoenergia Brasília. As novas tarifas valem a partir de 22 de outubro.
Goiás
Na Equatorial Goiás, com cerca de 3,67 milhões de unidades consumidoras, os índices informados são 7,36% para a classe residencial (B1), 7,26% para a média da baixa tensão, 7,22% para a alta tensão e efeito médio de 7,25%.
Distrito Federal
Na Neoenergia Brasília, com cerca de 1,2 milhão de unidades, são 1,11% para a residencial, 1,06% para a baixa tensão, 4,27% para a alta tensão e efeito médio de 1,92%. Segundo o Jornal de Brasília, o resultado é provisório porque a troca do sistema comercial deixou várias unidades sem faturamento de maio a julho, e a área técnica tem até 180 dias para avaliar os dados de mercado e a necessidade de recálculo.
Leitura prática
Na compensação da micro e minigeração, a energia injetada abate kWh, então a mudança de tarifa altera o valor em reais da economia de quem gera. O efeito em cada conta depende da classe, da modalidade e do consumo.
Limite da verificação
A notícia oficial da ANEEL não foi localizada (página de notícias sem lista e Agência em defeso eleitoral); os índices vêm das reportagens, que coincidem entre si.

Alta — tarifa e valor da energia compensada em GO e DF

ONS publica diretrizes para validar modelos de usinas solares, eólicas e baterias

Fato
O ONS divulgou dois documentos: o Guia de Validação EOL, UFV e BESS, com as diretrizes dos ensaios de validação N1 e N2, e a Nota Técnica NT-ONS DPL 0436/2026, com requisitos mínimos para modelos de equipamentos de eletrônica de potência em estudos de transitórios eletromagnéticos no PSCAD. O infográfico público do ONS resume o processo, e a pv magazine Brasil noticiou em 20 de outubro.
Como funciona
Segundo o infográfico, o N1 compara o equipamento real com o modelo trifásico eletromagnético, e o N2 compara esse modelo com o modelo fasorial de sequência positiva (ANATEM/Organon). A validação é feita "uma única vez por família de equipamento" (mesmo fabricante e versão), não a cada empreendimento. Para baterias (BESS), a validação é só no modo grid-forming; o grid-following é tratado como operação degradada.
Prazos
Segundo a pv magazine Brasil, fabricantes e agentes podem enviar dúvidas até 10 de novembro de 2026, e o ONS prevê responder em documento de apoio até 30 de novembro. A reportagem ressalva que a validação única não dispensa os demais estudos e requisitos de conexão.
Precisão para a GD
As regras valem para usinas conectadas ao Sistema Interligado Nacional por eletrônica de potência sob a coordenação do ONS, não para a conexão de micro e minigeração na rede da distribuidora. Os documentos completos ficam no portal SINtegre, de acesso restrito, e não foram lidos pela FMGD.

Alta — conexão de usinas solares e de armazenamento à rede

CCEE explica como a baixa tensão vai migrar ao mercado livre a partir de novembro de 2027

Fato
Segundo o Canal Solar (20/10), o gerente executivo de Regulação, Informações ao Mercado e Capacitação da CCEE, César Pereira, disse no evento Canal Conecta, em São Paulo, que consumidores comerciais e industriais de baixa tensão poderão migrar a partir de novembro de 2027, e os demais, incluindo residências, em novembro de 2028.
Como vai funcionar
Segundo a reportagem, a migração será feita por comercializadores varejistas, que a registram na plataforma da CCEE; a distribuidora é avisada e passa a enviar os dados de medição a partir do mês seguinte. "O consumidor de baixa tensão terá pouco contato com a CCEE", disse Pereira. O mercado passaria de cerca de 220 mil consumidores de alta tensão para cerca de 90 milhões de potenciais consumidores.
Quem disse o quê
No mesmo debate, segundo o Canal Solar, Andrew Storfer (América Energia) disse esperar migração "um pouco lenta", e Marcelo Ávila (Armor Energia) defendeu uma plataforma neutra de comparação de ofertas pela CCEE. São empresas com interesse direto no tema.
Limite da verificação
As datas e números são declarações em evento, sem norma ou documento oficial citado na reportagem. A matéria não trata de como fica a compensação de energia de quem tem micro ou minigeração e migrar.

Alta — abertura do mercado livre e consumidor com geração própria

Pulso de custos: dólar PTAX fecha 20/10 em R$ 5,0140; módulo TOPCon a US$ 0,114/W

Câmbio
A PTAX de venda do dólar de 20 de outubro de 2026, o último fechamento disponível, foi de R$ 5,0140 (compra, R$ 5,0134), segundo a API do Banco Central (boletim das 13h09). Em 19/10 foi de R$ 5,0564 e em 16/10, de R$ 5,0826: queda de cerca de 0,84% no último pregão, depois de quatro altas seguidas. A PTAX de 21/10 sai por volta das 13h.
Módulos
Segundo a InfoLink, na atualização de 21 de outubro de 2026, o módulo TOPCon bifacial (182–210 mm) teve preço médio de US$ 0,114/W nos mercados fora da China e de RMB 0,719/W no mercado chinês. Para projetos na Europa com módulo fabricado na China, a média foi de US$ 0,115/W FOB. A referência OPIS mais recente, publicada na edição de 19/10, segue em US$ 0,107/W FOB China (13/10); não houve OPIS nova na janela.
Leitura prática
InfoLink e OPIS usam metodologias diferentes, e os valores não devem ser comparados diretamente. Câmbio e preço internacional isolados não permitem inferir o preço final de um sistema no Brasil, que depende de frete, tributos, equipamento e negociação específica.

Alta — referência cambial e de preço para equipamentos importados

Agenda regulatória

  • 22/10Entram em vigor as novas tarifas da Equatorial Goiás e da Neoenergia Brasília.
  • 27/10Diretoria da ANEEL analisa o edital dos leilões de baterias; publicação prevista para 29/10, segundo o Canal Solar.
  • 30/10Fim do prazo de contribuições das consultas da ANEEL sobre PIS/Cofins na reforma tributária.
  • 10/11Prazo para fabricantes e agentes enviarem dúvidas ao ONS sobre a validação de modelos N1 e N2; respostas previstas até 30/11.
  • 02/12Leilão de baterias com exigência de fabricação nacional; o segundo, sem essa exigência, está marcado para 4/12.

Síntese do dia

“A geração distribuída cresceu a ponto de sobrar na rede em certas horas, e a ANEEL agora propõe contar e liquidar esse excedente, com regra provisória em janeiro de 2027 e créditos de quem gera preservados. A reforma tributária abre consulta curta, as tarifas sobem em Goiás e no Distrito Federal, e ONS e CCEE preparam a rede e o mercado para solar, baterias e consumidor livre. O dólar voltou a cair.”

Fontes oficiais

Seja um Associado FMGD

Some-se à Frente Mineira de Geração Distribuída e fortaleça a representação técnica e institucional do setor em Minas Gerais.

Telefone
(33) 99848-6349
E-mail
frentemineiragd@gmail.com
Horário
8h00 às 17h00
Endereço
R. Dr. Marcílio Rosa, 223 — Jardim Iracema, Teófilo Otoni/MG

Quero me associar

Leia a edição completa

Compartilhe esta edição e mantenha sua rede informada.

Enviar

www.frentemineiragd.com.br/fmgd-news/2026-10-21

  • Informação técnica
  • Acompanhamento regulatório
  • Desenvolvimento sustentável

Edição pública atualizada em 21/10/2026.

Conteúdo editorial da Frente Mineira de Geração Distribuída. As matérias e documentos de origem estão citados em cada card e ficam nos respectivos endereços. Responsabilidade editorial: Frente Mineira de Geração Distribuída (FMGD).

Ver todas as edições