FMGD NEWS
FMGD NEWS — 21 de setembro de 2026
Publicado às segundas, quartas e sextas-feiras, às 8h.
Curtailment, controle remoto da GD e o embate tarifário da MMGD — a semana que a edição de recuperação cobre
Estudo da Volt Robotics mostra 51 dias com cortes acima de 60% da geração solar e eólica disponível entre janeiro e agosto, alta de 18,3% ante 2025. ONS e ANEEL selecionam cinco distribuidoras para testar controle remoto da geração distribuída, o Acende Brasil cobra reforma tarifária da MMGD e a Câmara analisa estatuto de proteção ao consumidor de energia solar.
Fontes verificadas
Destaque do dia
Curtailment bate recorde: 51 dias com cortes acima de 60% da geração solar e eólica em 2026, alta de 18,3% sobre 2025
Levantamento da Volt Robotics, replicado por pv magazine Brasil, Cenário Energia e O Povo, mostra que o corte de geração renovável no Brasil se agravou entre janeiro e agosto — episódio crítico a cada cinco dias, em média.
Palavra do Presidente

Esta é uma edição de recuperação: 16 e 18 de setembro ficaram sem boletim porque o executor desta automação esgotou capacidade, e o incidente está documentado, com causa confirmada, sem letra miúda. Prefiro isso a fingir que não houve falha. Apurando os sete dias, o que mais chama atenção é a convergência de dois movimentos que pareciam separados: o corte de geração solar e eólica bateu recorde — 51 dias acima de 60% de restrição só até agosto, 18,3% a mais que 2025 — e, na mesma semana, ONS e ANEEL escolheram cinco distribuidoras, entre elas a Cemig, para testar controle remoto sobre a geração distribuída. São a mesma pergunta por dois lados: o sistema despacha menos do que os prossumidores geram, e agora testa como comandar a geração conectada na ponta para lidar com isso. A FMGD segue acompanhando de perto — é exatamente esse o tipo de regra que decide se o pequeno gerador é tratado com proporcionalidade ou como problema a controlar. Também nesta semana, o Instituto Acende Brasil cobrou reforma na tarifa da MMGD, que já responde por 38% dos subsídios do setor em 2026, e a Câmara dos Deputados começou a analisar um projeto que proíbe cobrança retroativa sobre quem já está conectado. Duas leituras do mesmo problema, e nenhuma delas resolvida ainda.
Jomar Britto
Presidente da FMGD
Representantes do Conselho Consultivo
Articulação nacional
Nota editorial
Esta edição é de RECUPERAÇÃO e cobre a janela de 15 a 21 de setembro de 2026, sete dias, calculada por scripts/automation/janela.mjs: as edições de 16/09 (quarta) e 18/09 (sexta) não foram publicadas porque o executor desta automação ficou sem capacidade (créditos esgotados), causa registrada e confirmada em documento interno de incidente — não é falha de código deste repositório, e os dois dias perdidos não deixaram registro algum no repositório. Não há material apurado recuperável desses dois dias; esta edição apura o período inteiro do zero, com fontes abertas e conferidas nesta sessão. Nenhum assunto aqui repete o que já saiu na edição de 14/09/2026. Os números do estudo de curtailment da Volt Robotics (51 dias, alta de 18,3%, 3.853 MW médios) são de pesquisa privada, divulgada e replicada pela imprensa especializada em 16 e 17/09 — não são estatística oficial do ONS, e a atribuição está explícita no card. O PL 3149/26 foi publicado pela Agência Câmara em 14/09 à tarde, após o fechamento da edição anterior (apurada pela manhã daquele dia) — por isso entra nesta janela, e não é repetição. Esta edição não publica preço de módulo, inversor ou bateria por ausência de dado novo e confirmado no período; os valores de câmbio são de mercado à vista do fechamento de 18/09, atribuídos ao veículo que os publicou, não PTAX oficial do Banco Central.
Leitura rápida
- Curtailment: 51 dias com cortes acima de 60% da geração solar e eólica disponível entre jan-ago/2026, alta de 18,3% sobre 2025, segundo a Volt Robotics
- ONS e ANEEL selecionam 5 distribuidoras — Neoenergia Elektro, CPFL Paulista, Cemig-D, Energisa MT e Copel — para testar controle remoto da GD
- Câmara analisa PL 3149/26, que proíbe cobrança retroativa sobre geração distribuída já conectada e propõe estabilidade de 25 anos
Conteúdo editorial do dia
Curtailment bate recorde: 51 dias com cortes acima de 60% da geração solar e eólica entre janeiro e agosto de 2026, alta de 18,3% sobre 2025
- Fato
- Levantamento da Volt Robotics, divulgado em 16 de setembro e replicado por pv magazine Brasil e Cenário Energia, mostra que o Brasil registrou 51 dias com episódios críticos de corte de geração solar e eólica entre janeiro e agosto de 2026 — dias em que mais de 60% da geração renovável disponível chegou a ser restringida pelo ONS em algum momento.
- Fato
- Em 12 desses 51 dias, a restrição chegou a 80% da geração disponível em algum momento. Para efeito de comparação, no mesmo período de 2025 o estudo havia identificado 30 dias acima de 60% e sete dias acima de 80% — ou seja, o número de episódios críticos mais que aumentou de um ano para o outro.
- Fato
- O volume médio de energia cortada nos oito primeiros meses de 2026 foi de 3.853 MW médios, 18,3% acima do registrado no mesmo período de 2025, segundo reportagem publicada em 17 de setembro pelo O Povo com base no mesmo levantamento.
- Precisão importante
- Os números são de pesquisa privada da Volt Robotics, não de estatística oficial do ONS, e a atribuição está explícita neste bloco. O ONS publica seus próprios dados de constrained-off em base aberta; esta edição não encontrou, na janela apurada, nota oficial do ONS quantificando o período com os mesmos termos do estudo.
- Análise
- O agravamento do curtailment é o pano de fundo direto para dois outros assuntos desta edição: o teste de controle remoto sobre a geração distribuída (card 02) e a pressão por reforma tarifária da MMGD (card 03). Quanto mais o sistema descarta geração que já existe, mais peso ganha o argumento de quem defende comando mais ativo sobre onde e quando essa geração entra — inclusive a pequena.
Máxima — maior e mais bem apurado indicador de corte de geração renovável da janela, com convergência de múltiplas fontes
- Fonte: pv magazine Brasil — Curtailment: cortes críticos de solar e eólica ocorrem em 1 a cada 5 dias no Brasil (16/09/2026)
- Fonte: Cenário Energia — Curtailment no limite: Brasil acumula 51 dias de cortes massivos em solar e eólica até agosto (16/09/2026)
- Fonte: O Povo — Volume de energia renovável cortada no Brasil salta 18% (17/09/2026)
ONS e ANEEL selecionam cinco distribuidoras — Neoenergia Elektro, CPFL Paulista, Cemig-D, Energisa MT e Copel — para testar controle remoto da geração distribuída
- Fato
- Segundo reportagens publicadas em 18 de setembro por Cenário Energia e Agência iNFRA, o ONS formalizou junto à ANEEL uma proposta de sandbox regulatório para testar um modelo de operador de sistema de distribuição (DSO, na sigla em inglês) com cinco distribuidoras: Neoenergia Elektro, CPFL Paulista, Cemig-D, Energisa Mato Grosso e Copel.
- Fato
- Segundo a mesma apuração, o critério de escolha combinou penetração de geração distribuída na área de concessão com maturidade tecnológica — capacidade de operar sistemas avançados como ADMS (gestão avançada da distribuição) e DERMS (gestão de recursos energéticos distribuídos).
- Fato
- O objetivo declarado é permitir que a geração conectada à rede de distribuição, sobretudo micro e minigeração solar, passe a ser considerada de forma mais ativa na operação do Sistema Interligado Nacional — com comandos do ONS às distribuidoras em tempo real e também por programação prévia de operação.
- O que muda de leitura
- A edição de 14/09/2026 registrou a CP 033/2026, que propõe em regra o monitoramento e comando remoto de parte da geração distribuída. Este sandbox é o primeiro movimento operacional concreto nessa direção, testado com distribuidoras nomeadas antes mesmo de a consulta pública se encerrar, em 9 de novembro.
- Precisão importante
- É uma fase de teste (sandbox), não uma regra em vigor: nenhuma usina foi obrigada a aceitar comando remoto por este anúncio. A abrangência final depende do resultado dos testes e da própria CP 033/2026, ainda em consulta.
- Ação
- Acompanhar se alguma das cinco áreas de concessão testadas (Neoenergia Elektro, CPFL Paulista, Cemig-D, Energisa MT, Copel) inclui associados da FMGD, e contribuir na CP 033/2026 até 9/11 com atenção ao mesmo corte por porte já identificado na edição anterior.
Máxima — primeiro passo operacional concreto na direção que a CP 033/2026 propõe em regra
Acende Brasil cobra reforma tarifária da MMGD: geração distribuída já responde por 38% dos subsídios do setor elétrico em 2026
- Fato
- Segundo reportagem publicada em 16 de setembro pelo Portal Connected Smart Cities, o Instituto Acende Brasil lançou o White Paper 33, intitulado "Reforma Tarifária para a MMGD: por um sistema mais justo, sustentável e eficiente", propondo aperfeiçoamentos nos mecanismos de sinalização de preços para a micro e minigeração distribuída.
- Fato
- A mesma reportagem cita que, nos sete primeiros meses de 2026, a MMGD já responde por 38% de todos os subsídios do setor elétrico brasileiro — subsídio pago por quem não tem geração distribuída. Em 2025, pelo Subsidiômetro da ANEEL, esse valor havia fechado em R$ 17,1 bilhões, maior que qualquer outro subsídio do setor.
- Fato
- Ainda segundo a reportagem, a capacidade instalada da MMGD cresceu a uma taxa composta de 122,8% ao ano desde 2012, ante apenas 2,6% ao ano de crescimento da carga do sistema elétrico no mesmo período — descompasso que o white paper aponta como raiz da distorção tarifária do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE).
- Precisão importante
- O white paper é um estudo do Instituto Acende Brasil, entidade que reúne agentes do setor elétrico — não é proposta oficial da ANEEL nem do MME. Ele soma-se, e não substitui, a Tomada de Subsídios que a própria ANEEL já conduz sobre valoração de custos e benefícios da MMGD.
- Análise
- O dado dos 38% muda a escala do debate tarifário: não é mais só sobre o ritmo de expansão da MMGD, é sobre o subsídio já ser, isoladamente, a maior fatia dos custos repassados a quem não gera a própria energia. É esse argumento — mais do que o volume de GW instalados — que deve pautar a CP 033/2026 e qualquer revisão futura do SCEE.
Alta — dado novo sobre o tamanho do subsídio da MMGD, direto ao centro do debate tarifário que envolve o setor
Câmara dos Deputados começa a analisar PL 3149/26, que proíbe cobrança retroativa sobre geração distribuída já conectada
- Fato
- A Agência Câmara noticiou em 14 de setembro, à tarde, que a Câmara dos Deputados começou a analisar o PL 3149/26, de autoria do deputado José Medeiros (PL-MT), que institui o Estatuto de Proteção ao Consumidor de Energia Solar.
- Fato
- Pelo texto, fica proibida a criação de taxas, encargos ou tarifas compensatórias com efeitos retroativos sobre sistemas de geração distribuída já conectados à rede elétrica, e os contratos de compensação em vigor deveriam ser preservados conforme as condições existentes na data em que foram assinados.
- Fato
- O projeto garante a manutenção das condições econômicas e regulatórias vigentes na data de conexão por um período mínimo de 25 anos, e veda que a ANEEL institua novos encargos por atos infralegais que aumentem o ônus econômico de quem já está no sistema.
- Fato
- O projeto tramita em caráter conclusivo, e será analisado pelas comissões de Minas e Energia; de Defesa do Consumidor; e de Constituição e Justiça e de Cidadania — o que significa que pode ser aprovado nas comissões sem votação no plenário, salvo recurso.
- Precisão importante
- É início de tramitação, não lei aprovada: nenhuma das três comissões votou o mérito do projeto até o fechamento desta edição. O texto pode ser alterado por emendas em qualquer uma das comissões.
- Análise
- O PL 3149/26 nasce do mesmo desconforto que motiva o card 03: a insegurança de quem já investiu em geração distribuída diante de um debate tarifário que aponta para revisão do SCEE. Se aprovado como está, o projeto entraria em rota de colisão direta com qualquer novo encargo que a reforma tarifária da MMGD venha a propor para o parque já instalado.
Alta — projeto de lei que reage diretamente à insegurança regulatória que o debate tarifário da MMGD alimenta
CCEE antecipa pela quarta vez seguida a contabilização do mercado de curto prazo, dois dias antes do prazo regulatório
- Fato
- Segundo reportagens publicadas em 17 de setembro por Cenário Energia e Paranoá Energia, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) antecipou, pelo quarto ciclo consecutivo, a divulgação dos resultados da contabilização do Mercado de Curto Prazo (MCP).
- Fato
- Os resultados foram disponibilizados aos agentes no 19º dia útil do mês, dois dias antes do prazo regulatório, fixado no 21º dia útil do mês seguinte ao período de referência.
- Contexto
- A antecipação integra uma revisão dos processos de contabilização iniciada pela CCEE em 2024, que envolveu reavaliação de etapas, simplificação de fluxos operacionais e maior integração entre as áreas responsáveis pelos cálculos e pela divulgação dos resultados.
- Análise
- Não é mudança de regra nem de valor: é mais tempo, na prática, para geradores, comercializadoras e consumidores conferirem os números antes da liquidação financeira do MCP — o tipo de ganho operacional que passa despercebido fora do setor, mas reduz risco de contestação tardia para quem vende ou compra energia no curto prazo.
Média — ganho de previsibilidade operacional para geradores e comercializadoras, sem mudança de regra
Mercado — dólar fecha a semana em alta a R$ 5,1451 e Ibovespa quebra sequência de quatro semanas de ganhos com eleição e juros
- Fato
- Segundo o acompanhamento de mercado publicado em 18 de setembro pelo InfoMoney, o dólar à vista fechou aquela sexta-feira em alta de 0,11%, a R$ 5,1451, acumulando alta de 0,39% na semana.
- Fato
- A mesma cobertura registra que o Banco Central deu liquidez ao mercado à vista diante de fluxo de saída de dólares do país antes das eleições de outubro: até 11 de setembro, já haviam saído do Brasil US$ 5,987 bilhões líquidos no mês.
- Fato
- Segundo reportagem da Exame publicada no mesmo dia, o Ibovespa quebrou uma sequência de quatro semanas consecutivas de alta, em sessão marcada por expectativas sobre a eleição e sobre decisões de juros.
- Precisão importante
- Este é valor de mercado à vista, não a PTAX oficial do Banco Central. Também não há, nesta janela, dado público novo e confirmado de preço de módulo, inversor ou bateria: a edição não publica R$/Wp, percentual de reajuste ou margem sem fonte verificável específica do período.
- Análise
- O câmbio segue acima de R$ 5,10 desde o início de setembro, com saída de capital ligada ao calendário eleitoral — fator que pesa sobre o custo de importação de equipamento fotovoltaico e de baterias, ainda que sem reajuste novo confirmado nesta janela.
Média — registro de câmbio e bolsa com atribuição explícita da fonte, sem dado novo de preço de equipamento
Agenda regulatória
- 25/09Anúncio da bandeira tarifária de outubro, pela ANEEL.
- 27/10Previsão de aprovação dos editais dos leilões de armazenamento nº 05/2026 e 06/2026.
- 09/11Encerramento da CP ANEEL nº 033/2026 — revisão do Módulo 3 do PRODIST, monitoramento e comando remoto de recursos energéticos distribuídos.
- 18/11Prazo de inscrição para o Leilão de Armazenamento nº 05/2026 (Nacional).
- 20/11Prazo de inscrição para o Leilão de Armazenamento nº 06/2026 (Geral).
- 02/12Leilão de Armazenamento nº 05/2026 (Nacional).
- 04/12Leilão de Armazenamento nº 06/2026 (Geral).
Síntese do dia
“Os sete dias que esta edição de recuperação cobre — sem apuração nos dois dias em que a automação ficou sem capacidade, 16 e 18/09 — concentraram um mesmo debate visto por ângulos diferentes. O curtailment bateu recorde: 51 dias com cortes acima de 60% da geração solar e eólica disponível entre janeiro e agosto, 18,3% a mais que em 2025, segundo a Volt Robotics. Na mesma semana, ONS e ANEEL escolheram cinco distribuidoras — entre elas a Cemig-D — para testar controle remoto sobre a geração conectada à rede de distribuição, movimento que anda na mesma direção da CP 033/2026, ainda em consulta até 9 de novembro. Do outro lado do debate, o Instituto Acende Brasil cobrou reforma tarifária para a MMGD, que já responde por 38% de todos os subsídios do setor elétrico em 2026, enquanto a Câmara dos Deputados começou a analisar um projeto de lei que proíbe justamente esse tipo de cobrança retroativa sobre quem já está conectado. Nenhuma das duas frentes está decidida — a CP 033 segue em consulta, o PL 3149/26 mal começou a tramitar, e o sandbox do ONS é teste, não regra —, mas a direção do debate ficou mais clara: de um lado, mais corte e mais controle remoto; do outro, mais subsídio questionado e mais busca por estabilidade regulatória para quem já gera.”
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Edição pública atualizada em 21/09/2026.




