Nater Coop aluga usina solar da Fortlev e leva energia compensada a 27 unidades em 14 municípios capixabas

Vista aérea de fileiras de módulos fotovoltaicos em terreno de morro, com canteiro de obras, galpão e montanhas ao fundo
Usina fotovoltaica da Fortlev Solar que gera a energia compensada nas faturas da Nater Coop. Foto: divulgação Fortlev Solar

Em vez de levantar uma usina própria, a Nater Coop decidiu alugar uma. Desde setembro, 27 unidades da cooperativa agropecuária, espalhadas por 14 municípios do Espírito Santo, recebem nas faturas de energia os créditos gerados em usinas fotovoltaicas operadas pela Fortlev Solar. A geração anual projetada é de 792 megawatts-hora (MWh).

A cooperativa informa que o arranjo já reduz os custos com eletricidade, mas não divulgou o percentual nem o valor da economia. O que foi divulgado, e o que se pode conferir em fontes públicas, está nesta reportagem.

O arranjo em números

  • 27 unidades da cooperativa recebem créditos de energia, em 14 municípios capixabas;

  • 792 MWh por ano de geração projetada associada à rede fotovoltaica;

  • 36,5 toneladas de CO₂ a menos por ano, segundo a cooperativa;

  • 9 filiais recebem, além disso, energia de fontes renováveis comprada no mercado livre;

  • Setembro: mês em que chegaram os primeiros créditos.

Como funciona: a usina é da Fortlev, a energia é da cooperativa

Toda a infraestrutura é operada pela Fortlev Solar, que concede à Nater Coop o direito de usar a energia gerada em suas usinas. A cooperativa não opera equipamentos: recebe a energia na forma de créditos, que são compensados nas faturas de cada unidade.

As 27 unidades contempladas foram escolhidas por se enquadrarem no grupo B da fatura da EDP, categoria que reúne estabelecimentos comerciais atendidos em baixa tensão, de até 2,3 kV. Ficam em Alegre, Castelo, Guaçuí, Itarana, Iúna, Muniz Freire, Nova Venécia, Pinheiros, Rio Bananal, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, São Mateus, Sooretama e Vitória.

Fora desse conjunto, outras nove filiais da cooperativa já usam energia renovável por outro caminho: a compra no mercado livre, modelo em que o consumidor escolhe de quem comprar a eletricidade.

A conta do carbono, refeita

Bernardo Kapich, gerente industrial de alimentos da Nater Coop, explica que a parceria amplia o escopo das compensações ambientais da cooperativa. “Considerando como referência nosso fator médio de emissão de carbono com energia elétrica em 2025, que foi de 0,0461 tCO₂/MWh, a geração anual projetada de 792 MWh associada à eletricidade da rede fotovoltaica representa uma redução de aproximadamente 36,5 toneladas de CO₂”, detalha.

A redação conferiu a aritmética: 792 MWh × 0,0461 tCO₂/MWh dá 36,51 toneladas, o que bate com o valor informado. Outra conta simples, feita pela redação: dividindo os 792 MWh pelas 27 unidades, a média é de cerca de 29,3 MWh por unidade por ano, ou 2,4 MWh por mês. É uma média aritmética; a divisão real dos créditos entre as unidades não foi informada.

Alugar ou construir? O que outras cooperativas capixabas escolheram

O caminho da Nater Coop contrasta com o de outras cooperativas do estado. A Cooabriel, por exemplo, investiu mais de R$ 2 milhões em oito usinas fotovoltaicas, sete delas no Espírito Santo e uma em Itabela (BA), segundo levantamento da MundoCoop publicado em junho de 2025, com dados da Absolar e do Sistema OCB/ES.

Quem constrói assume o investimento e a operação, e fica com o equipamento. Quem aluga troca esse capital por um contrato, e as condições desse contrato passam a ser o que mais importa. Cada caminho serve a um perfil, e a escolha depende de caixa, de prazo e de apetite para operar uma usina.

O pano de fundo: o setor em escala

A geração distribuída soma cerca de 43,5 GW de potência instalada no Brasil, segundo dados da ANEEL reunidos em matéria do Canal Solar de janeiro de 2026. A ABGD projeta que o volume chegue a 50 GW até o fim de 2026.

A Lei 14.300/2022, o marco legal da geração distribuída, prevê a geração compartilhada, modalidade caracterizada pela reunião de consumidores por meio de consórcio ou cooperativa (art. 1º, inciso X), e o autoconsumo remoto, para unidades de titularidade de uma mesma pessoa jurídica (art. 1º, inciso II). O comunicado não informa em qual modalidade o contrato entre a Nater Coop e a Fortlev Solar se enquadra.

O que ainda não foi dito

O comunicado não traz o prazo do contrato, o valor pago pela cooperativa, o desconto sobre a tarifa nem a regra de reajuste. Para quem avalia um caminho semelhante, são as perguntas que vale fazer antes de assinar:

  • Prazo e saída: por quanto tempo vale o contrato e o que acontece se ele for encerrado antes;

  • Preço e reajuste: como o valor é definido, e por qual índice é atualizado;

  • Rateio dos créditos: quanto cada unidade recebe e quem pode alterar essa divisão;

  • Enquadramento: em qual modalidade da Lei 14.300 o arranjo foi formalizado e junto à distribuidora.

“Unir famílias que alimentam famílias”

Para Marcelino Bellardt, CEO da Nater Coop, a novidade reforça o compromisso de modernizar os negócios e investir em responsabilidade socioambiental. “Nosso propósito é unir famílias que alimentam famílias. Para que isso seja viável, buscamos formas de otimizar nossos custos e, assim, gerar mais retorno aos nossos cooperados. Quando a solução encontrada agrega valor em termos ambientais, o ganho é ainda maior, pois beneficia toda a sociedade”, destaca.

A escala do negócio ajuda a entender o peso da conta de energia. A cooperativa faturou R$ 2,6 bilhões em 2024, alta de 39% sobre o ano anterior, segundo coluna de A Gazeta de março de 2025, e opera lojas agropecuárias, laticínios, ovos, café, rações e postos de combustíveis.


Sobre a Nater Coop

Com 62 anos de história, a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Nater Coop) reúne mais de 25 mil cooperados e cerca de 1.240 colaboradores. Com sede em Santa Maria de Jetibá, é uma das principais referências do agronegócio capixaba, com atuação nos segmentos de café e especiarias, lojas agropecuárias, nutrição animal, ovos, laticínios e postos de combustíveis. Suas marcas incluem Veneza, Pronova, Liva e Rações Coope.

Sobre a Fortlev Solar

A Fortlev Solar é uma fabricante de kits fotovoltaicos e soluções para energia solar, com atuação voltada a integradores de todo o país. A empresa trabalha com equipamentos de diferentes marcas e desenvolve soluções próprias para aplicações no setor fotovoltaico. Fundada em 2019, faz parte do Grupo Fortlev, que atua há mais de 30 anos no mercado de reservatórios de água, tubos e conexões em PVC.


Fontes: comunicado da Nater Coop e da Fortlev Solar (fatos, números do projeto e declarações de Bernardo Kapich e Marcelino Bellardt); Lei 14.300/2022; ANEEL e ABGD, via Canal Solar; MundoCoop; A Gazeta. Os cálculos de conferência são da redação da FMGD. Foto: divulgação Fortlev Solar.

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