FMGD NEWS

FMGD NEWS — 9 de setembro de 2026

Publicado às segundas, quartas e sextas-feiras, às 8h.

Regulação, tarifa e armazenamento — a semana que redesenha a geração distribuída

A ANEEL abre a consulta pública que pode dar às distribuidoras o poder de ordenar corte de geração em 33 GW de recursos distribuídos, o Acende Brasil propõe reformar a tarifa da MMGD e o primeiro lote de baterias na transmissão vai a leilão em abril de 2027, com Minas Gerais no certame.

Fontes verificadas

Destaque do dia

ANEEL abre consulta que discute dar à distribuidora o poder de ordenar corte de geração distribuída

A CP 033/2026 revisa o Módulo 3 do PRODIST e recebe contribuições de 10 de setembro a 9 de novembro. Microgeração residencial fica de fora da proposta; a minigeração, não.

Palavra do Presidente

Jomar Britto, Presidente da FMGD

A consulta pública 033 é a pauta mais importante que a geração distribuída enfrenta este ano, e ela abre no dia 10. Está em discussão se a distribuidora passa a poder ordenar corte de geração em 33 gigawatts de recursos conectados à rede. O telhado residencial está fora da proposta, mas a minigeração está dentro — são 68 mil instalações. Não somos contra regra: um sistema com a penetração que o nosso alcançou precisa de coordenação, e quem gera também depende de rede estável. Somos contra regra escrita sem quem gera na mesa, e contra corte sem critério objetivo, auditável e com contrapartida. A FMGD vai contribuir formalmente na CP 033 e convoca as empresas mineiras a fazerem o mesmo, com dado técnico e caso real de operação. Sessenta dias é prazo suficiente para argumentar com fundamento — e curto demais para reclamar depois que a regra estiver escrita.

Jomar Britto

Presidente da FMGD

Representantes do Conselho Consultivo

Articulação nacional

Coalizão MSL — Movimento Solar Livre e as Frentes Estaduais de Geração Distribuída

A FMGD integra e apoia a articulação nacional do Movimento Solar Livre, que reúne as Frentes Estaduais em defesa da liberdade energética, da segurança jurídica e dos direitos do consumidor-gerador.

Nota editorial

Esta edição cobre a janela de 3 a 9 de setembro de 2026, sete dias, porque a edição de sexta-feira (04/09) não foi publicada por falha da automação; nenhum fato do período ficou sem cobertura. Os números de potência e de instalações alcançados pela CP 033/2026 são de apuração da imprensa publicada em 08/09 e não constam da nota oficial da ANEEL, que descreve a proposta sem quantificá-la — a atribuição está explícita em cada bloco. A proposta do Instituto Acende Brasil é estudo de instituto de pesquisa, não norma nem consulta pública em curso. As cotações de câmbio citadas são de mercado à vista, atribuídas ao veículo que as publicou, e não PTAX oficial: a série do Banco Central não pôde ser consultada no fechamento desta edição. Esta edição não publica preço de equipamento por ausência de dado novo confirmado na janela.

Leitura rápida

  • CP 033/2026 abre em 10/09 e discute controle da distribuidora sobre 33 GW de recursos distribuídos; microgeração residencial fica de fora
  • Acende Brasil propõe tarifa por horário e cobrança por demanda máxima de injeção para a MMGD
  • Primeiro lote de baterias na transmissão vai a leilão em 30/04/2027; Minas Gerais está entre os 13 estados

Conteúdo editorial do dia

ANEEL abre a CP 033/2026 e discute dar às distribuidoras controle sobre 33 GW de geração distribuída

Fato
A ANEEL aprovou em 8 de setembro a Consulta Pública nº 033/2026, que revisa o Módulo 3 do PRODIST — o conjunto de procedimentos que rege o acesso ao sistema de distribuição. As contribuições vão de 10 de setembro a 9 de novembro de 2026, pelo endereço cp033_2026@aneel.gov.br. Segundo a Agência, a proposta deriva de trabalho desenvolvido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em articulação com a ANEEL e com especialistas de universidades.
Fato
Segundo apuração da imprensa publicada na mesma data, a mudança técnica alcançaria cerca de 33 GW em recursos de geração distribuída, distribuídos em aproximadamente 70 mil instalações — 1,5 mil centrais do chamado Tipo III, como pequenas centrais hidrelétricas e térmicas a biomassa, e 68 mil instalações de minigeração somando mais de 13 GW. A reportagem registra que microgeradores residenciais ficam de fora da proposta, e que as distribuidoras passariam a poder ordenar cortes de geração, a exemplo do que o ONS já faz com grandes parques eólicos e solares. A mesma reportagem atribui à diretora relatora Agnes da Costa e ao diretor-geral Sandoval Feitosa o argumento de que recursos tão relevantes não podem permanecer sem coordenação.
O que muda de abordagem
A ANEEL descreve a revisão como uma troca de lógica: sai a regra escrita por tecnologia, entra o requisito por função — monitoramento, comunicação, controle de potência, proteção e qualidade da energia —, tratando de forma integrada geração distribuída, armazenamento e veículos elétricos.
Análise
Para a FMGD, esta é a consulta do ano. Coordenação de recursos distribuídos é discussão legítima e inevitável num sistema com a penetração que o Brasil alcançou — quem gera também depende de rede estável. O ponto sensível não é existir regra: é quem escreve a regra, com que critério de acionamento, com qual transparência e com qual contrapartida para quem investiu contando com um arranjo diferente.
Risco
Sem critério objetivo e auditável de acionamento, o corte de geração vira risco não precificável no projeto de minigeração — e risco não precificável encarece financiamento ou trava investimento. A distinção entre microgeração residencial (fora) e minigeração (dentro) precisa ficar explícita no texto final, não apenas na apresentação.
Ação
Contribuir formalmente na CP 033/2026 até 9 de novembro, com dado técnico e caso real de operação. Sessenta dias é prazo suficiente para argumentar com fundamento.

Máxima — consulta pública aberta em 10/09, com 60 dias de prazo; é a pauta regulatória mais relevante do ano para a geração distribuída

Acende Brasil propõe reformar a estrutura tarifária da MMGD, com tarifa por horário e cobrança por demanda de injeção

Fato
Em white paper divulgado no início de setembro, o Instituto Acende Brasil defende o aperfeiçoamento dos mecanismos de sinalização de preços para a micro e minigeração distribuída. Entre as alternativas listadas estão a criação de classes e subclasses tarifárias específicas para prossumidores, tarifas diferenciadas por horário, dia da semana e período do ano, cobrança conforme a demanda máxima — tanto de retirada quanto de injeção —, taxas de conexão com sinalização locacional e um componente fixo para custos comerciais.
Fato
O estudo parte de uma capacidade instalada de MMGD de 43,4 GW ao fim de 2025 e aponta como desafios o descompasso entre a produção solar, concentrada no dia, e o pico de consumo, no início da noite; a concentração geográfica dos sistemas, que pode exigir adaptação de infraestrutura; e a necessidade crescente de flexibilidade do sistema.
Análise
As duas pautas da semana conversam. A CP 033 discute controlar a injeção; o Acende Brasil discute precificá-la. Juntas, desenham um cenário em que o valor da energia injetada deixa de ser uniforme e passa a depender de quando, onde e quanto se injeta — o que muda o cálculo de retorno de qualquer projeto novo e de boa parte dos existentes.
Precisão importante
É proposta de instituto de pesquisa, não norma e nem consulta pública em curso. Não há prazo, não há processo regulatório aberto sobre este desenho tarifário específico e nada muda na conta de luz por causa deste documento.

Alta — mexe diretamente na economia do projeto de geração distribuída

ANEEL amplia a agenda regulatória do armazenamento e avalia prioridade no curtailment para quem instalar baterias

Fato
A ANEEL ampliou a discussão sobre armazenamento para incluir possíveis incentivos à instalação de baterias junto a usinas de geração. Entre as alternativas citadas pela Agência estão a extensão do prazo das concessões, prioridade na ordem de curtailment e desconto no uso da rede.
Fato
A Agenda Regulatória 2026–2027 foi revisada de 59 para 54 atividades, com foco ampliado em sistemas de armazenamento; a revisão criou uma atividade específica para regular os custos de contratação de sistemas de baterias entre geradores.
O que mudou desde 02/09
A edição anterior registrou o calendário do LRCAP mantido para 2 e 4 de dezembro, com contratos de 15 anos e suprimento a partir de agosto de 2028. Confirma-se agora o requisito mínimo de 30 MW e capacidade de suprimento por 4 horas. O impasse sobre o rateio dos encargos, que era o ponto central daquela edição, segue sem definição.
Precisão importante
As medidas não foram aprovadas como novos benefícios a projetos com baterias. O que houve foi ampliação de escopo para avaliação futura — a diferença é material e não deve ser lida como incentivo já concedido.

Alta — atualização material da agenda do LRCAP acompanhada desde a edição de 02/09

Primeiro lote de baterias na transmissão vai a consulta pública; leilão em abril de 2027 inclui Minas Gerais

Fato
A ANEEL colocou em Consulta Pública nº 032/2026 o edital do Leilão de Transmissão nº 01/2027, marcado para 30 de abril de 2027. São 12 lotes em 13 estados — Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo —, com investimento previsto de R$ 12,9 bilhões, 3.245 km de novas linhas de transmissão e 1.386 MVA de capacidade de transformação. A estimativa citada é de 29,5 mil empregos diretos e indiretos. As contribuições vão de 10 de setembro a 26 de outubro de 2026.
Fato
O destaque é o Lote 5: a primeira contratação de armazenamento por baterias na transmissão do Sistema Interligado Nacional, destinada a atender Cruzeiro do Sul e Feijó, no Acre. Diferentemente dos demais lotes, com contratos de 30 anos, o Lote 5 tem prazo de 18 anos, em razão da vida útil das baterias.
Análise
É a segunda porta de entrada do armazenamento no arcabouço regulatório em menos de um trimestre: primeiro na reserva de capacidade, pelo LRCAP, agora na transmissão. O contrato mais curto do Lote 5 é o reconhecimento formal, em edital, de que ativo de bateria tem vida útil própria — precedente que tende a se repetir.
Oportunidade
Minas Gerais está entre os 13 estados contemplados. Empresas mineiras de projeto, montagem e infraestrutura elétrica devem acompanhar a definição dos lotes durante a consulta.

Alta — CP 032/2026 aberta em 10/09, com Minas Gerais entre os estados do certame

Fundo imobiliário capta R$ 1 bilhão para comprar usinas de geração distribuída já em operação

Fato
O fundo Suno Energias Limpas (SNEL11) captou R$ 1 bilhão. Segundo a reportagem, os recursos serão destinados principalmente à aquisição de usinas de geração distribuída já em operação, com contratos assinados e histórico de geração — a estratégia não envolve construção de novos empreendimentos. A captação poderá viabilizar a incorporação de até 250 MWp ao portfólio, que hoje reúne cerca de 150 MWp entre ativos próprios e sob gestão, podendo alcançar aproximadamente 400 MWp.
Análise
Capital institucional comprando usina de GD pronta é notícia estrutural, não financeira. Significa que existe comprador para o ativo depois de construído e contratado — o que muda a conversa com banco, encurta o horizonte de retorno exigido e abre uma porta de saída que o pequeno e médio gerador historicamente não tinha.
Risco
O mesmo comprador que dá liquidez também precifica risco regulatório. Se a CP 033 e o debate tarifário avançarem sem previsibilidade, o desconto aparece no preço de compra do ativo — e quem vende paga a conta da incerteza.

Alta — sinal de liquidez para o ativo de GD, com efeito direto sobre saída de investimento

Mercado — dólar perto de R$ 5,13 na semana; edição não publica PTAX nem preço de equipamento sem fonte oficial

Fato
Segundo o acompanhamento de mercado publicado em 8 de setembro, o dólar à vista havia encerrado a sessão anterior em alta de 0,50%, negociado a R$ 5,1296, e operava a R$ 5,113 às 9h05 daquele dia, em queda de 0,35%.
Precisão importante
Estes são valores de mercado à vista citados por veículo de imprensa, não a PTAX oficial do Banco Central. A série oficial do BCB não pôde ser consultada no fechamento desta edição, e por isso a edição não publica PTAX para a janela. Também não há, nesta janela de apuração, dado público novo e confirmado de preço de módulos, inversores ou baterias — a edição não publica R$/Wp, percentual ou margem sem fonte verificável.
Análise
O câmbio segue no mesmo patamar das últimas semanas, sem movimento que altere de forma relevante o custo de importação de equipamento no curto prazo.

Média — registro de câmbio com atribuição explícita da fonte

Agenda regulatória

  • 10/09Abertura das CPs ANEEL nº 032/2026 (leilão de transmissão) e nº 033/2026 (PRODIST Módulo 3).
  • 12/09Encerramento da CP ANEEL nº 25/2026 — LRCAP.
  • 14/09Encerramento das CPs ANEEL nº 22 e 23/2026 — armazenamento.
  • 22/09Rota MSL Mato Grosso do Sul — etapa Dourados (22 e 23/09), segundo o MSL.
  • 24/09Rota MSL Mato Grosso do Sul — etapa Campo Grande (24 e 25/09), segundo o MSL.
  • 08/10Encerramento das consultas públicas do MME abertas em 24/08.
  • 14/10Workshop ANEEL de preparação do LRCAP.
  • 26/10Encerramento da CP ANEEL nº 032/2026 — edital do Leilão de Transmissão 01/2027.
  • 27/10Previsão de aprovação dos editais dos leilões de baterias.
  • 09/11Encerramento da CP ANEEL nº 033/2026 — revisão do Módulo 3 do PRODIST.
  • 02/12Leilões LRCAP — certames em 2 e 4 de dezembro.
  • 30/04/2027Leilão de Transmissão nº 01/2027, com o primeiro lote de baterias do SIN.

Síntese do dia

“A semana desenhou, em três movimentos, o novo contrato entre a geração distribuída e a rede. Primeiro o controle: a CP 033/2026 discute dar à distribuidora o poder de ordenar corte de geração em 33 GW de recursos conectados, deixando o telhado residencial de fora e a minigeração dentro. Depois o preço: o Acende Brasil propõe tarifa por horário e cobrança por demanda máxima de injeção, o que faria o valor da energia injetada depender de quando, onde e quanto se injeta. E, por fim, a alternativa: o armazenamento entrou na transmissão pela primeira vez, com o Lote 5 do leilão de abril de 2027, enquanto a ANEEL estuda dar prioridade no curtailment a quem instalar baterias. Some-se a isso R$ 1 bilhão de capital institucional captado para comprar usinas de GD prontas, e o recado do período fica claro: existe dinheiro e existe caminho técnico, mas a regra que define o valor do que já foi investido está sendo escrita agora, com prazo até 9 de novembro. Quem não contribuir na consulta não vai poder dizer que não foi chamado.”

Fontes oficiais

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Edição pública atualizada em 09/09/2026.

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