FMGD NEWS
FMGD NEWS — 2 de setembro de 2026
Publicado às segundas, quartas e sextas-feiras, às 8h.
Regulação, operação do sistema e inteligência setorial
ANEEL mantém os leilões de baterias para 2 e 4 de dezembro mesmo com o impasse sobre encargos, o Senado condiciona o incentivo a data centers ao suprimento renovável e o plano de excedentes não é acionado no domingo.
Fontes verificadas
Destaque do dia
ANEEL mantém leilões de baterias para 2 e 4 de dezembro; impasse sobre quem paga os encargos segue aberto
Audiência pública em Brasília reuniu cerca de 70 participantes presenciais; contribuições às consultas públicas seguem até 14/09.
Palavra do Presidente

Esta semana o armazenamento saiu do discurso e entrou no calendário: a ANEEL confirmou os leilões de baterias para dezembro, o BNDES abriu portal para orientar projetos e fabricantes globais correm para nacionalizar produção — inclusive em Minas Gerais. Ao mesmo tempo, o Senado condicionou os incentivos aos data centers ao uso de energia renovável, criando demanda nova para o nosso setor. Fica o alerta: o impasse sobre quem paga os encargos do armazenamento continua aberto, e a geração distribuída não pode ser chamada a pagar essa conta sem participar da mesa. A FMGD seguirá cobrando critérios transparentes e isonômicos.
Jomar Britto
Presidente da FMGD
Representantes do Conselho Consultivo
Articulação nacional
Nota editorial
O acionamento do plano de excedentes previsto como possível para 30/08 não se confirmou, segundo apuração setorial publicada em 01/09; não foi identificada nota oficial específica do ONS sobre aquele domingo até o fechamento. Os dados de mercado da MMGD citados são do levantamento divulgado pelo MSL em 01/09, com atribuição à entidade. A participação de mercado da CATL e a renúncia fiscal do ReData são estimativas citadas nas reportagens indicadas. Cotações de câmbio são PTAX oficiais do Banco Central. Esta edição não publica preços de equipamentos por ausência de dado novo confirmado na janela. A retrospectiva da semana de 24 a 30/08 foi apurada para a edição de 31/08 e não chegou ao ar por uma falha do conversor; ela é publicada aqui, uma única vez. Esta edição de 2 de setembro foi ao ar com atraso, em 6 de setembro de 2026: a automação de publicação falhou na data e a falha do conversor só foi corrigida agora. O conteúdo é o que foi apurado em 2 de setembro, com as fontes e as datas de origem preservadas, e não foi atualizado depois disso.
Leitura rápida
- ANEEL mantém leilões de baterias (LRCAP) para 2 e 4 de dezembro; encargos ainda sem definição
- Senado aprova ReData: data centers incentivados terão de atender toda a demanda com energia renovável ou de baixa emissão
- Plano de excedentes não foi acionado no domingo (30/08); 2026 segue com dois acionamentos (07/06 e 23/08)
Conteúdo editorial do dia
ANEEL mantém leilões de baterias para dezembro; encargos são o impasse central
- Fato
- Em audiência pública realizada em 1º de setembro, em Brasília (DF), com cerca de 70 participantes presenciais e aproximadamente 200 pela internet, a ANEEL reafirmou o calendário do Leilão de Reserva de Capacidade voltado a armazenamento (LRCAP): certames em 2 e 4 de dezembro de 2026, contratos de 15 anos e início de suprimento em 1º de agosto de 2028. Contribuições às consultas públicas seguem até 14 de setembro; a agenda prevê workshop em 14 de outubro, aprovação dos editais em 27 de outubro e inscrições até 18 e 20 de novembro.
- Fato
- O principal ponto de divergência é o rateio dos encargos: a proposta técnica da ANEEL prevê rateio entre geradores, enquanto associações setoriais defendem divisão mais ampla entre segmentos. Segundo a reportagem, o diretor Gentil Nogueira sinalizou que adiamento só seria considerado se uma mudança legislativa sobre encargos ocorresse muito próxima aos certames.
- Fato
- Em 2 de setembro, o BNDES lançou portal dedicado ao LRCAP, centralizando cronogramas, perguntas frequentes e a listagem de equipamentos aptos ao crédito, como guia para fabricantes e desenvolvedores.
- Análise
- A manutenção do calendário, mesmo com o impasse sobre encargos, consolida o armazenamento como a resposta estrutural que o próprio sistema vem pedindo diante dos excedentes de geração no meio do dia. Para a geração distribuída, a definição de quem paga os encargos é decisiva: o desenho final pode influenciar tarifas, sinais de preço e a viabilidade de BESS atrás do medidor.
- Risco
- Encargos mal alocados podem encarecer a conta de segmentos que não deram causa ao problema ou não se beneficiam diretamente da solução. A discussão exige acompanhamento técnico e participação formal nas consultas públicas, abertas até 14/09.
- Oportunidade
- O cronograma firme cria previsibilidade para projetos, fabricantes e integradores; o portal do BNDES reduz assimetria de informação para quem pretende participar do certame ou fornecer equipamentos.
Atualização material — audiência pública de 01/09 resolve a pendência da agenda regulatória da edição de 31/08
Senado aprova ReData: incentivo a data centers condicionado a energia renovável
- Fato
- O Senado aprovou em 1º de setembro o PL 278/2026, que cria o ReData, regime especial de tributação para serviços de data center voltados a computação em nuvem e inteligência artificial. O texto, já aprovado pela Câmara em fevereiro, segue para sanção presidencial. O regime suspende por cinco anos Imposto de Importação, IPI, PIS/Cofins e PIS/Cofins-Importação na compra de equipamentos — no caso do Imposto de Importação, apenas para itens sem similar nacional.
- Fato
- Entre as contrapartidas, os data centers beneficiados deverão atender toda a demanda contratada de eletricidade com contratos de fornecimento ou autoprodução de fontes renováveis ou de baixa emissão — solar, eólica, hídrica, biomassa e biogás —, destinar 10% da capacidade de processamento ao mercado interno (8% em regiões menos favorecidas), investir 2% do valor dos equipamentos no país (1,6% em projetos regionais) e manter índice de eficiência hídrica de até 0,05 litro por kWh, com relatórios anuais de sustentabilidade. A reportagem cita estimativa de renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026, recuando a cerca de R$ 1 bilhão anual em seguida.
- Análise
- A exigência de suprimento 100% renovável ou de baixa emissão cria uma âncora de demanda de longo prazo para geração limpa no Brasil. Para o ecossistema de geração distribuída e armazenamento, o efeito é indireto porém relevante: mais demanda firme por renováveis tende a fortalecer cadeias de fornecimento, autoprodução e soluções de flexibilidade.
- Risco
- O desenho final depende de sanção e regulamentação. Estimativas de renúncia fiscal e efeitos sobre o mercado de energia devem ser lidas como projeções citadas na tramitação, não como resultados garantidos.
- Oportunidade
- Empresas do setor podem se posicionar desde já na cadeia de suprimento de energia renovável e infraestrutura elétrica associada a data centers, inclusive em Minas Gerais, que disputa esses investimentos.
Alta — aprovação no Senado em 01/09/2026; texto segue à sanção presidencial
Plano de excedentes não foi acionado no domingo (30/08); ano segue com dois acionamentos
- Fato
- O Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição não precisou ser acionado no domingo, 30 de agosto. O ONS havia deixado as distribuidoras sob aviso na sexta-feira (28), classificando como média a probabilidade de acionamento. Com isso, 2026 segue com dois acionamentos: 7 de junho e 23 de agosto.
- O que mudou
- A edição de 31/08 registrou que, até aquele fechamento, não havia confirmação pública sobre a efetivação do possível terceiro acionamento sinalizado pelo ONS para 30/08. A pendência se resolve: o acionamento não ocorreu, segundo apuração setorial publicada em 1º de setembro.
- Análise
- A não efetivação confirma que o plano funciona como instrumento de última instância, condicionado às condições reais de carga e geração de cada dia — e não como corte automático recorrente. O tema permanece estrutural: as projeções citadas na semana anterior seguem indicando risco de excedentes em dias de baixa carga e alta geração solar até outubro.
- Risco
- A alternância entre avisos e não acionamentos pode gerar ruído de comunicação. Precisão segue obrigatória: o plano alcança usinas Tipo 3 conectadas às distribuidoras; não houve desligamento direto da micro e minigeração distribuída nos eventos de 2026.
Alta — fecha pendência declarada na edição de 31/08
MSL divulga retrato da MMGD em julho e confirma local da etapa de Campo Grande da Rota MS
- Fato
- Em 1º de setembro, o Movimento Solar Livre (MSL) publicou em seu perfil oficial no Instagram levantamento com dados de julho de 2026 sobre a geração distribuída solar no Brasil: 52,986 GW de potência instalada, 4.603.310 sistemas, presença da microgeração em 99,96% dos municípios e 1.589.576 empregos associados, segundo os números apresentados pela entidade. Ainda segundo o levantamento, a geração distribuída atende 8,77% das unidades consumidoras do país.
- Fato
- Em 2 de setembro, o MSL confirmou o endereço da etapa de Campo Grande da Rota MSL Mato Grosso do Sul: Faculdade Insted, Rua Fernando Corrêa da Costa, 845, em 24 e 25 de setembro, das 9h às 17h. Segundo a entidade, o programa é gratuito, com 500 vagas, 48 horas de formação (16h de nivelamento online, 16h de imersão presencial e 16h de mentoria de negócios), certificado condicionado à presença e apoio do Ministério do Empreendedorismo. A etapa de Dourados ocorre em 22 e 23 de setembro.
- Sinal
- O dado de 8,77% das unidades consumidoras atendidas, destacado pelo próprio MSL, sintetiza o argumento institucional da coalizão da qual a FMGD faz parte: o setor ganhou escala nacional, mas o espaço de crescimento continua majoritário.
- Oportunidade
- Para integradores e empresas associadas da FMGD, a Rota MSL no Mato Grosso do Sul é oportunidade concreta de capacitação técnica e comercial gratuita em setembro, num momento em que armazenamento e gestão de energia ganham centralidade.
Alta — publicações oficiais do MSL em 01/09 e 02/09
De olho no LRCAP, CATL e Jinko avançam na nacionalização de baterias — com fábrica parceira em Extrema (MG)
- Fato
- Reportagem de 1º de setembro detalha dois movimentos de nacionalização de baterias no Brasil ligados aos requisitos de conteúdo local do LRCAP: a Jinko ESS firmou memorando de entendimento com a UCB Power — fabricante com plantas em Manaus (AM) e Extrema (MG) — para industrialização local, e a CATL fechou parceria com a Moura para viabilizar produção nacionalizada de soluções de armazenamento. Segundo a reportagem, a CATL detém cerca de 45% do mercado brasileiro de armazenamento, e o leilão contratará dois produtos: um com conteúdo local nacionalizado e outro aberto a equipamentos importados.
- Análise
- A corrida pela nacionalização confirma que o LRCAP já está reorganizando a cadeia de fornecimento antes mesmo do certame. A presença de uma planta parceira em Extrema coloca Minas Gerais dentro desse movimento industrial, com potencial de empregos e de encadeamento produtivo local.
- Sinal
- Nacionalização e acesso a financiamento (equipamentos aptos ao crédito, caso do portal do BNDES) tendem a influenciar preço e disponibilidade de BESS no mercado interno nos próximos ciclos. Nesta janela de apuração, não há novo dado público confirmado de preço de módulos, inversores ou baterias que permita citar valores — a edição não publica números sem fonte.
- Oportunidade
- Integradores devem acompanhar a homologação de equipamentos nacionalizados e as linhas de crédito associadas: produtos elegíveis a financiamento tendem a ganhar competitividade em projetos comerciais e industriais.
Alta — reportagem setorial de 01/09 com empresas nomeadas
Radar — TSE firma acordo para compensar 100% do consumo com energia solar nas Eleições 2026
- Fato
- O TSE assinou em 1º de setembro acordo com a CEB e a Terracap para compensar com geração solar todo o consumo anual de energia do Tribunal, incluindo o período eleitoral — as Eleições 2026 serão as primeiras realizadas com 100% do consumo do TSE compensado pela fonte solar. A usina do Catetinho, com 4,02 MWp, 5.628 módulos e investimento de R$ 15,8 milhões, está com obra 98% concluída e deve gerar cerca de 7,7 milhões de kWh por ano, somando-se a cerca de 1 MW já instalado no Tribunal.
- Sinal
- O gesto institucional reforça, em ano eleitoral, o papel da compensação de energia — mecanismo central da geração distribuída — dentro do próprio Estado brasileiro. Registro técnico e factual, sem qualquer conotação partidária.
Média — registro técnico e factual, sem conotação partidária
Mercado — dólar em leve queda na semana; edição não publica preço de equipamento sem fonte
- Fato
- PTAX de venda em 2 de setembro de 2026: R$ 5,1273 por dólar. Variação de −0,58% sobre 01/09 (R$ 5,1570), −0,64% sobre 26/08 (R$ 5,1604) e +1,08% sobre 03/08 (R$ 5,0723).
- Análise
- Dólar em leve queda na semana alivia marginalmente o custo de importação de equipamentos; no acumulado de 30 dias, ainda há alta de cerca de 1%.
- Precisão importante
- Sem novo dado público confirmado de preço de módulos, inversores ou BESS nesta janela de apuração (01–02/09). A edição não publica R$/Wp, percentuais ou margens sem fonte verificável.
Média — cotação oficial PTAX do Banco Central
Resumo da semana passada
24 a 30 de agosto de 2026
Intersolar South America 2026 põe o armazenamento no centro do mercado
A Intersolar South America 2026 / The smarter E South America 2026 ocorreu de 25 a 27/08 no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo as plataformas de solar, armazenamento (ees), mobilidade elétrica (Power2Drive) e infraestrutura (Eletrotec+EM-Power). O armazenamento dominou a pauta: segundo levantamento setorial citado na cobertura, o mercado brasileiro de BESS saltou de cerca de R$ 700 milhões em 2024 para mais de R$ 2,2 bilhões em 2025, enquanto a adição solar de 2026 é projetada em torno de 10,6 GW — segunda retração anual consecutiva. Destaques regulatórios do debate: o LRCAP, que abre pela primeira vez participação formal de armazenamento em leilões de capacidade, e a expansão do Fio B, que impulsiona o retrofit de sistemas existentes com baterias.
Por que importa: A virada do mercado para armazenamento e serviços de energia redefine o modelo de negócio da geração distribuída — tema decisivo para as empresas mineiras e para a agenda regulatória que a FMGD acompanha.
Dólar fecha agosto a R$ 5,18, com alta acumulada de 2,16% no mês
O dólar comercial encerrou segunda-feira (31/08) cotado a R$ 5,1801, em queda de 0,32% no dia, após ter tocado R$ 5,23 na sexta-feira (28/08). No acumulado de agosto, a moeda subiu 2,16% frente ao real. A imprensa financeira atribuiu o movimento da última semana a fatores domésticos — incluindo a divulgação de pesquisas eleitorais — e ao cenário externo, com recuo do índice DXY e alta do petróleo.
Por que importa: O câmbio é componente direto do preço final de módulos, inversores e baterias no Brasil: alta de 2,16% no mês pressiona o custo de equipamentos importados mesmo com preços internacionais estáveis ou em queda.
Preços internacionais: células e wafers cedem; módulo TOPCon segue perto de US$ 0,114/W na China
No fechamento semanal da InfoLink de 26/08, o módulo TOPCon bifacial (China) estava em US$ 0,114/W — US$ 0,119/W para projetos na Europa com fabricação chinesa —, com a célula TOPCon a US$ 0,050/W (queda de 5,7% na semana), o wafer tipo N a US$ 0,163 por peça (-1,8%) e o polysilicon mono a US$ 18,5/kg. A consultoria registrou reversão do sentimento de preços, com pressão sobre wafers e células. Não foi localizada, na janela desta edição, cotação nacional de referência em R$/Wp de fonte verificável — o preço final no Brasil resulta do preço internacional somado a câmbio, frete e tributos.
Por que importa: O custo de capex define a viabilidade dos projetos de GD: preços internacionais em acomodação, combinados a câmbio 2,16% mais alto no mês, mudam a conta de importadores, distribuidores e integradores.
Agenda regulatória
- 12/09Encerramento da CP ANEEL nº 25/2026 — LRCAP.
- 14/09Encerramento das CPs ANEEL nº 22 e 23/2026 — armazenamento (contribuições reafirmadas na audiência de 01/09).
- 22/09Rota MSL Mato Grosso do Sul — etapa Dourados (22 e 23/09), segundo o MSL.
- 24/09Rota MSL Mato Grosso do Sul — etapa Campo Grande, Faculdade Insted (24 e 25/09), segundo o MSL.
- 08/10Encerramento das consultas públicas do MME abertas em 24/08 (prazo de 45 dias).
- 14/10Workshop ANEEL de preparação do LRCAP.
- 27/10Previsão de aprovação dos editais dos leilões de baterias.
- 02/12Leilões LRCAP — certames em 2 e 4 de dezembro; contratos de 15 anos e suprimento a partir de 01/08/2028.
Síntese do dia
“O dia consolidou o armazenamento como agenda com data marcada: a ANEEL manteve os leilões de baterias para 2 e 4 de dezembro mesmo com o impasse sobre encargos, o BNDES abriu portal para orientar projetos e fabricantes globais aceleram a nacionalização — com Minas Gerais no mapa, via Extrema. No Congresso, o Senado condicionou os incentivos aos data centers ao suprimento renovável, criando demanda nova para a energia limpa. Na operação, o alerta de domingo não virou corte: o plano de excedentes não foi acionado em 30/08, e o ano segue com dois acionamentos. Para a geração distribuída, o recado é participar — das consultas públicas do armazenamento à definição de quem paga os encargos dessa transição.”
Fontes oficiais
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Edição pública atualizada em 02/09/2026.




